
03/06/2025
De acordo com a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), o Brasil gera 82 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, dos quais apenas 4% são reciclados. De todo o material reciclado no Brasil, mais de 90% passam pelas mãos e catadoras e catadores que trabalham de forma autônoma ou em cooperativas – essas pessoas são responsáveis pela reciclagem no Brasil, mas não recebem o reconhecimento e a valorização que merecem.
Hoje, estima-se que estejam em ação mais de cerca de 800 mil catadores, segundo dados do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). Esses profissionais são protagonistas quando o assunto é reciclagem. Porém, a grande maioria está em situação de vulnerabilidade, com remuneração baixa e atuação em ambientes precários, como ruas e lixões, além de condições muito vulneráveis pela falta de contratos que garantam estabilidade para o planejamento de seus empreendimentos.
É dentro deste contexto que o Instituto Recicleiros criou a Academia Recicleiros do Catador, lançada oficialmente no dia 29 de maio de 2025. A plataforma nasceu de uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, SIG, Nestlé, Instituto Heineken e Alcoa Foundation.
“A Academia é a concretização de um sonho de constituir uma escola que não tratasse apenas de questões produtivas e administrativas, mas considerasse a dimensão humana, olhando para a origem e a história de vida dessas pessoas. A reciclagem, para nós, só é sustentável se for inclusiva e emancipatória”, explica Lusimar Guimarães, gestor da Academia do Catador.
A Academia do Catador é uma plataforma que oferece acesso gratuito a todo o público de catadores e técnicos que atuam no ecossistema da reciclagem no Brasil.
O objetivo da Academia do Catador é formar pessoas e promover a mobilidade social desses profissionais a partir do empreendedorismo. Para tanto, desenvolve um processo de formação profunda e transversal, considerando todas as dimensões necessárias para que o negócio dos catadores possa ser bem-sucedido.
As trilhas de capacitação desenvolvem conhecimento operacional, de segurança, administrativo, liderança, cooperativismo, governança, relacionamento interpessoal, entre outros assuntos técnicos e comportamentais.
A metodologia de formação da Academia Recicleiros do Catador já vem sendo utilizada e constantemente melhorada nas operações do Programa Recicleiros Cidades. São mais de 300 catadores e 40 técnicos facilitadores, em 14 cidades, passando pela formação da Academia.
“Por meio da Academia queremos compartilhar o conhecimento e boas práticas gerados no Programa Recicleiros Cidades com outros catadores. Para nós, a construção de uma cadeia ética de reciclagem, que garante condições de trabalho seguras e remuneração digna aos catadores, é fundamental. Hoje, temos os times de saúde e segurança e de melhoria contínua da fábrica da SIG trabalhando junto com o time Recicleiros para desenvolver os melhores protocolos. Nosso objetivo é que os catadores trabalhem nas unidades de processamento com as mesmas condições que nossos funcionários em nossas plantas”, diz Isabela De Marchi, Gerente de Sustentabilidade América do Sul, da SIG, patrocinadora semente do Instituto Recicleiros.
Com o apoio de SIG, Nestlé e Instituto Heineken, o Instituto Recicleiros vem sistematizou todo o conteúdo da Academia do Catador. O conhecimento é fruto de 18 anos de atuação no campo para torná-lo disponível de maneira gratuita para catadores de todo o país.
“Trabalhava em uma associação de catadores de materiais recicláveis em Guaxupé, Minas Gerais. Fui treinado e capacitado para fazer a separação de materiais e, depois, fazer a coleta na rua com o caminhão três dias na semana. Mas sem equipamentos de proteção e minha retirada era abaixo de um salário-mínimo. Tempos depois, a associação fechou e o Instituto Recicleiros chegou e inaugurou a Recicla Guaxupé, em parceria com a prefeitura. Participei da seleção e fui convidado a fazer parte da cooperativa, que inaugurou em 2020. Passei pela esteira de separação, prensa, pré-triagem e hoje sou coordenador de mobilização. Aqui trabalhamos com EPI´s e recebemos uma remuneração digna. Estou feliz por fazer parte da Recicla Guaxupé e grato a todos que confiam em mim”, conta Carlos Alberto da Cruz Filho, coordenador de mobilização da cooperativa de catadores Recicla Guaxupé.
Com uma jornada intensiva, transversal e de longo prazo, a Academia do Catador busca desenvolver condições ideais para que as pessoas mais vulneráveis da comunidade possam atuar de maneira profissional e altamente eficiente em suas cooperativas, tornando-se elo estratégico e competitivo em um mercado cada vez mais explorado.
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