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Reciclagem de alimentos ajuda a reduzir emissões

29/07/2025

Uma nova pesquisa apontou que a reciclagem de resíduos alimentares por meio de métodos como compostagem, digestão anaeróbica e “realimentação” pode provocar uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), em comparação ao descarte em aterros sanitários.
O sistema agroalimentar global — um dos principais emissores de GEE — enfrenta pressões crescentes devido ao crescimento populacional, à degradação do solo e à urbanização. “Todos estão envolvidos no sistema agroalimentar global, já que todos comem”, afirmou Zhengxia Dou, coautora do estudo e professora de sistemas agrícolas da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia (Penn), em comunicado à imprensa. “Todos são partes interessadas.”
De acordo com Dou, quase um terço dos alimentos destinados ao consumo humano é perdido ou desperdiçado antes de ser ingerido, o que compromete a segurança alimentar e desperdiça recursos como terra, água e energia. “Quando terminam de comer, as pessoas tendem a simplesmente jogar o que sobrou: longe da vista, longe do coração”, disse Dou. “Mas, do ponto de vista dos recursos e do meio ambiente, o que acontece depois realmente importa muito.”
A equipe de pesquisadores analisou dados de 91 estudos de campo realizados em 29 países com o objetivo de fornecer “uma referência para países que desenvolvem estratégias de gerenciamento de desperdício de alimentos para um sistema agroalimentar circular”, escreveram os autores.
Para avaliar o impacto da reciclagem de resíduos alimentares nas emissões de GEE ao longo de seu ciclo de vida, o estudo concentrou-se em três abordagens: compostagem; digestão anaeróbica — processo em que o material orgânico é decomposto, gerando uma mistura de dióxido de carbono e metano (biogás), que pode ser usada como energia renovável —; e realimentação, que transforma resíduos alimentares apropriados em ração para animais.
Os resultados forneceram fortes evidências de que esses métodos de reciclagem podem diminuir significativamente as emissões de GEE em comparação com o envio dos resíduos para aterros. Isso porque o desperdício de alimentos contém compostos orgânicos, como carboidratos, que se decompõem anaerobicamente nos aterros, produzindo metano — um potente gás de efeito estufa cujo impacto no aquecimento global é 80 vezes maior do que o do dióxido de carbono em um período de 20 anos.
“Qualquer coisa que você possa fazer com a reciclagem de resíduos alimentares é melhor do que enviá-los para um aterro sanitário”, disse Dou. Segundo o estudo, a União Europeia, a China e os Estados Unidos mantêm sistemas agroalimentares gigantescos, responsáveis por volumes imensos de desperdício de alimentos e emissões de GEE, além de utilizarem extensivamente os recursos naturais disponíveis. “Eles são o que eu chamaria de ‘superemissores’ de metano provenientes do descarte de resíduos alimentares”, afirmou Dou.
Os pesquisadores concluíram que eliminar completamente o envio de resíduos alimentares para aterros nesses países poderia representar uma redução significativa nas emissões de GEE. Dou destacou que, nos EUA, a redução projetada de GEE seria equivalente à compensação das emissões de metano geradas por quase nove milhões de vacas leiteiras — mais de 90% da população de vacas leiteiras do país.
Entre os dados mais relevantes do estudo, Dou enfatizou os benefícios da realimentação. “Sou um grande defensor da conversão de fluxos adequados de resíduos alimentares em ração animal porque isso tem o benefício adicional de reduzir o uso de ração convencional, poupando assim o uso de recursos naturais e fertilizantes”, explicou.
A pesquisa revelou que mais de cinco por cento das terras cultiváveis atualmente destinadas à produção de soja e milho na China poderiam deixar de ser utilizadas caso os resíduos alimentares fossem reciclados por meio da realimentação. “Essas terras poupadas poderiam ser usadas para produzir alimentos humanos para aumentar a segurança alimentar ou para retirar terras da produção para fins de conservação”, escreveram os autores.
Além disso, os pesquisadores identificaram que a realimentação poderia substituir parte do uso de soja e milho na ração animal — um aspecto relevante, especialmente para países como a China e alguns da União Europeia que dependem fortemente da importação de ração.
“[A] compostagem de resíduos alimentares, a digestão anaeróbica e a reutilização para alimentação animal são opções práticas e viáveis, comprovadas em campo, de baixo custo e altamente eficazes na mitigação de emissões, com múltiplos benefícios para a conservação de recursos”, escreveram os autores. Dou destacou que a mudança começa no cotidiano.
“Somos parte da equação. Portanto, para resolver o problema precisamos estar cientes da questão da perda e do desperdício de alimentos e tentar reduzir nossa própria pegada ecológica, reduzindo nossa própria perda e desperdício de alimentos”, acrescentou.
O estudo, “O desperdício de alimentos usado como recurso pode reduzir o clima e a carga de recursos nos sistemas agroalimentares”, foi publicado na revista Nature Food.

Fonte: CicloVivo

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