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Quais doenças podem crescer com o aquecimento global?

12/08/2025

O aumento das temperaturas não provoca apenas desconforto. Ele representa uma ameaça concreta à saúde pública. Pesquisas mostram que ondas de calor já estão associadas ao crescimento de doenças respiratórias, cardiovasculares, neurológicas, renais, além do avanço de arboviroses como a dengue. O calor, literalmente, adoece.
Isso ocorre porque o corpo humano precisa fazer um esforço extra para manter a temperatura interna estável. Em dias muito quentes, os batimentos cardíacos aceleram, a pressão pode subir e a desidratação se torna mais frequente, sobrecarregando o sistema circulatório. O impacto é especialmente grave para quem já vive com doenças crônicas como diabetes, hipertensão ou Alzheimer.
Estudos recentes mostram que esse impacto já é visível no Brasil. Entre 2000 e 2018, quase 50 mil mortes foram associadas a extremos de calor, segundo levantamento da Fiocruz e da Universidade de Lisboa. No Rio de Janeiro, uma análise da Secretaria Municipal de Saúde apontou que a mortalidade de idosos e pessoas com comorbidades aumentou nos dias mais quentes.
Além das doenças diretamente ligadas ao calor, o aquecimento global também estimula o avanço de vírus transmitidos por vetores. O mosquito da dengue, por exemplo, se beneficia de temperaturas altas e maior umidade. Em 2024, o ano mais quente da história do país, o Brasil bateu o recorde de casos: mais de 6 milhões de infecções por dengue foram registradas.
Segundo a revista científica The Lancet, o risco de transmissão da dengue hoje é 11% maior do que há uma década. E o problema não se restringe aos trópicos. Mosquitos transmissores da doença já avançam para regiões temperadas: só em 2023, foram mais de cem casos autóctones de dengue registrados em países europeus como França, Espanha e Itália.
Diante desse cenário, especialistas alertam que a crise climática não é apenas ambiental — é uma crise de saúde pública. Os efeitos do calor extremo, da mudança no regime de chuvas e da proliferação de vetores já são mensuráveis. Preservar o clima, portanto, não é só proteger o planeta: é proteger vidas.

Fonte: g1

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