
05/11/2026
Os países ricos estão muito aquém dos US$ 305 bilhões (R$ 1,67 trilhão, na cotação atual) necessários por ano para ajudar as nações em desenvolvimento a se adaptar às mudanças climáticas. A cifra é mais do que 10 vezes maior do que recebem atualmente das nações mais ricas, segundo um relatório da ONU publicado nesta quarta-feira (4).
O financiamento dos países desenvolvidos aumentou US$ 1 bilhão, chegando a US$ 28,2 bilhões (R$ 154,6 bilhões) em 2024 —muito abaixo do necessário para ajudar as nações mais pobres a enfrentar o agravamento das ondas de calor, secas, incêndios florestais e inundações. Os dados são do Relatório sobre a Lacuna de Adaptação 2026, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Os dados foram divulgados enquanto os países se preparam para se reunir na Turquia, de 9 a 20 de novembro, para a COP31, próxima rodada de negociações climáticas globais.
O relatório coloca mais uma camada de tensão nas relações diplomáticas, já que o valor atual representa mais uma promessa quebrada pelos países desenvolvidos. Em 2021, essas nações se comprometeram a alcançar cerca de US$ 40 bilhões anuais (R$ 219 bilhões) até 2025 para a adaptação climática nos países em desenvolvimento.
Segundo o Acordo de Paris, os países mais desenvolvidos, historicamente responsáveis pela maior parte das emissões de gases do efeito estufa, devem financiar os países em desenvolvimento para que estes se adaptem aos efeitos do aquecimento e façam a transição para fontes de energia limpa.
Agora é dado como certo que as temperaturas globais irão ultrapassar, dentro de alguns anos, o limite crítico de 1,5°C de aquecimento acima da média registrada antes da Revolução Industrial (1850 - 1900). Com isso, é imperativo acelerar os esforços de adaptação por meio da restauração de ecossistemas e do fortalecimento de infraestruturas.
"Para cada dólar que os países em desenvolvimento precisam para a adaptação, recebem apenas 10 centavos", criticou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
"Sabemos quem corre maior risco. Sabemos o que funciona. O que falta é dinheiro e vontade política. A escolha é simples: investir hoje em adaptação ou pagar pelas catástrofes de amanhã", acrescentou.
Entre as medidas de adaptação estão a construção de diques para enfrentar a elevação do nível do mar, a diversificação de cultivos para torná-los mais resistentes às secas, além da melhoria das moradias para reforçá-las diante de catástrofes naturais.
O relatório ressalta que mesmo que seja cumprido um acordo firmado no ano passado, na COP30, para triplicar o financiamento à adaptação seria insuficiente. O objetivo acordado em Belém (PA) é de alcançar US$ 120 bilhões (R$ 658 bilhões) por ano até 2035, o que representa cerca de um terço do necessário. Segundo o relatório, as necessidades de financiamento para adaptação nos países em desenvolvimento devem chegar a US$ 420 bilhões por ano nos próximos nove anos.
"O mundo não está preparado para se adaptar às condições climáticas atuais, muito menos ao que virá com a superação do limite de 1,5 °C", afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma.
O relatório também destacou o crescimento de outras fontes de verbas climáticas, como bancos multilaterais de desenvolvimento e fluxos financeiros entre países em desenvolvimento, como a China, que vem investindo no Sul Global. Os recursos canalizados por esses meios mais que dobraram em cinco anos, passando de US$ 3,8 bilhões (R$ 20,8 bilhõs) em 2019 para US$ 9,6 bilhões (R$ 52,6 bilhões) em 2024.
Fonte: Folha de S. Paulo
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