
12/08/2025
Em um cenário marcado pela intensificação dos eventos climáticos extremos, como chuvas de grande volume em curtos períodos de tempo, Niterói, que abriga mais de cem comunidades em áreas em declive, enfrenta um desafio urgente: evitar tragédias causadas por deslizamentos. Para isso, pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) desenvolveram um Índice de Risco (IR) qualitativo que permite hierarquizar as regiões mais suscetíveis a desastres, cruzando informações sobre o terreno, a vulnerabilidade social e o histórico de ocorrências anteriores.
Segundo o artigo, a nova metodologia será aplicada no desenvolvimento do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Niterói. De acordo com a responsável pela pesquisa, Franciele Zanandrea, a ideia é fornecer à administração pública um instrumento que permita planejar ações de forma preventiva, e não apenas reativa. A gestão de riscos, explica, deve atuar com foco na prevenção e na adaptação, principalmente nas cidades brasileiras, onde a urbanização acelerada, somada à desigualdade social, expõe populações vulneráveis a riscos cotidianos.
— Essa iniciativa faz parte de um programa do governo federal que visa a fortalecer as políticas públicas de prevenção de riscos de desastres em áreas periféricas. No âmbito deste projeto, 16 universidades foram selecionadas em todo o país, com a UFF sendo a representante do estado do Rio. Além da elaboração dos PMRRs, a estratégia inclui a capacitação de profissionais em mapeamento de riscos de desastres, promovendo o desenvolvimento de competências e a organização local para enfrentar os desafios específicos de cada território— explica pesquisadora.
O estudo alerta que, diante das mudanças climáticas, os eventos extremos devem se tornar mais intensos e frequentes, afetando desproporcionalmente as populações que vivem em encostas. Em Niterói, esse cenário é particularmente sensível: dados oficiais apontam mais de 50 mil pessoas residindo em áreas de risco geológico. Boa parte desses locais já foi alvo de interdições emergenciais ou de registros de deslizamentos de solo após temporais.
A ferramenta proposta pela UFF classifica as áreas com uma pontuação final que varia entre 0 e 1, sendo que valores mais altos indicam maior risco. O modelo integra variáveis como declividade, tipo de solo e cobertura vegetal, além de aspectos urbanos, como densidade populacional, presença de escadas e vielas estreitas e acessibilidade de veículos de emergência. Também entram no cálculo o grau de vulnerabilidade social das famílias, que influencia diretamente na capacidade de resposta frente a um desastre.
Fonte: O Globo
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