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Capital do Afeganistão enfrenta crise hídrica severa e pode ficar sem água até 2030

19/08/2025

Quando o pôr do sol desceu sobre Cabul numa noite recente, em pleno verão afegão, dois vizinhos dispararam insultos um ao outro sobre o acesso a um recurso que rapidamente desaparece: água.
"Você vem com quatro galões e fura a fila", Aman Karimi sibilou para uma mulher enquanto arrancava uma mangueira das mãos dela e enchia seus próprios baldes na torneira de uma mesquita. "É a minha vez, e é o meu direito."
Cabul está secando, definhada por chuvas e derretimentos de neve cada vez mais escassos e esgotada por poços não regulamentados. Tornou-se tão seca que seus 6 milhões de habitantes poderão ficar sem água até 2030 —e agora estão brigando por isso.
As reservas de água estão esvaziando quase duas vezes mais rápido do que são reabastecidas. A administração Talibã, com poucos recursos, não consegue trazer água de barragens e rios próximos à cidade.
Agora, Cabul corre o risco de se tornar a primeira capital moderna a esgotar suas reservas subterrâneas de água, alertou a organização sem fins lucrativos Mercy Corps em um relatório recente.
"Estamos brigando cada vez mais porque a água é como ouro para nós", conta o alfaiate Karimi, enquanto empurrava um carrinho de mão cheio com 150 litros de água que sua família de cinco pessoas usaria para cozinhar, banhar-se e beber. Karimi disse que eles se mudaram recentemente devido aos preços astronômicos de moradia, mas a nova casa não tem água corrente.
Cabul, cercada por montanhas nevadas e atravessada por três rios, nunca foi conhecida como uma cidade seca. Mas sua população cresceu aproximadamente seis vezes nos últimos 25 anos e nenhum sistema decente de gestão de água foi implementado, seja para trazer água de outras fontes ou para regular a extração subterrânea de estufas, fábricas e edifícios residenciais que estão se multiplicando pela cidade.
O abastecimento de água é uma questão crítica em todo o Afeganistão. Pelo menos 700 mil afegãos são deslocados todos os anos devido às mudanças climáticas, principalmente secas, segundo as Nações Unidas. Um terço dos 42 milhões de afegãos não tem acesso a água potável limpa.
Doadores internacionais financiaram múltiplos projetos de barragens e iniciativas para conectar as casas de Cabul a um sistema de tubulação confiável, orçados em centenas de milhões de dólares. A maioria nunca saiu do papel ou foi abruptamente interrompida após 2021, quando os Estados Unidos se retiraram do Afeganistão, o Talibã assumiu o controle e outras nações se recusaram a reconhecer o novo governo.
"Cabul tem lutado com problemas de água por duas décadas, mas nunca foi uma prioridade", disse Najibullah Sadid, especialista em recursos hídricos. "Agora os poços estão secando e é uma emergência."
Os moradores de Cabul têm cavado cada vez mais poços nos pátios e nos porões, perfurando uma cidade esgotada pela extração não regulamentada de água.
Apenas um quinto dos moradores de Cabul tem acesso à água encanada, de acordo com um relatório de 2021 da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. Mas o saneamento também tem piorado. Até mesmo a agência ambiental nacional depende de um caminhão-pipa que entrega mais de 10 mil litros de água por dia, porque seu poço secou e os canos precisam de manutenção.
Cabul existe como se estivesse hospitalizada, com milhares de litros de água sendo fornecidos por centenas de triciclos e caminhões que cruzam a cidade.
Aqueles que não podem pagar para comprar água de empresas de entrega dependem dos poços cada vez menores das mesquitas ou da caridade de residentes abastados. Quando o sol se põe, os carrinhos de mão aparecem e as ruas sinuosas e colinas íngremes brilham com grandes galões amarelos de óleo de cozinha transformados em recipientes de água.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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