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Travessia pelo Ártico mostra gravidade de mudanças climáticas, diz Tamara Klink

21/10/2025

A brasileira Tamara Klink alcançou um marco para a América Latina: ela completou sozinha a Passagem Noroeste, uma travessia de 6.500 km pelo Ártico que se tornou possível graças ao degelo causado pelas mudanças climáticas.
A viagem de dois meses entre a Groenlândia e o Alasca a bordo do Sardinha 2, um veleiro de 10 metros de comprimento, foi um desafio pessoal para Tamara, mas também uma mensagem de alerta sobre os efeitos do aquecimento global.
"Foi o ponto alto de um projeto de dois anos. Primeiro eu naveguei 5 mil km da França à Groenlândia, onde passei o inverno, depois naveguei até o Alasca", contou à AFP a jovem de 28 anos. Entre 2023 e 2024, ela passou oito meses do inverno em seu barco, na Baía de Disko, Groenlândia, atracada na água congelada.
Nascida na famosa família de velejadores Klink e fascinada pelo Ártico, Tamara concluiu o primeiro de seus grandes projetos solo em 2021, quando cruzou 13 mil km do Atlântico entre a Noruega e o Brasil, em um pequeno veleiro que comprou "pelo preço de uma bicicleta" e batizou de Sardinha.
"Para mim, é importante velejar, porque mando uma mensagem: vão atrás dos seus sonhos", disse Tamara, que concluiu no mês passado o novo percurso. "Não me importo se sou a primeira ou a última" a realizar façanhas, ressaltou a velejadora, que considera "gratificante" ter sido a primeira pessoa da América Latina a cruzar a Passagem Noroeste.
"Isso mostra que os latino-americanos podem encarar desafios esportivos relacionados não apenas a praias ou águas quentes, mas também a ambientes muito frios e tecnicamente desafiadores", comentou Tamara.
A Passagem Noroeste liga os oceanos Atlântico e Pacífico e foi percorrida pela primeira vez pelo explorador norueguês Roald Amundsen e por sua tripulação, no começo do século 20 (1903-1906). Até três décadas atrás, só era possível atravessá-la com quebra-gelos.
"Muito poucas pessoas fizeram sozinhas a Passagem Noroeste [14 pessoas], não apenas porque ela é desafiadora, mas também porque era impossível. A água ficava congelada durante todo o inverno, e parcialmente no verão", explicou Tamara.
Segundo a ONU, 2024 foi o ano mais quente já registrado, e excedeu os níveis pré-industriais (1850-1900) em 1,55°C. "Só encontrei gelo em 9% da rota. Conversando com cientistas e com a população local, com caçadores e pescadores inuítes [povo das regiões árticas], entendi que isso faz parte de uma tendência geral de haver cada vez menos gelo marinho", alertou Tamara. "Vai ser muito difícil revertê-la se não tomarmos decisões firmes, corajosas, nesta década."
Filha do famoso velejador Amyr Klink, Tamara herdou do pai o amor por explorar lugares. Quando Amyr voltava para casa após longos meses de viagem, contava histórias sobre animais estranhos e batalhas contra tempestades.
O velejador também levava Tamara para fazer algumas travessias, o que deu origem ao seu primeiro livro, "Férias na Antártica" (2011), que escreveu com as irmãs Laura e Marina. "Foi super bonito para nós, quando crianças, sonhar com isso", lembrou.
"Eu tinha 12 anos quando pedi ao meu pai que me ajudasse a começar a velejar sozinha. Ele me disse que me ajudaria com zero barcos e zero conselhos: ´Avise quando estiver pronta, e bon voyage´", contou Tamara. "Ele tinha todas as respostas e todas as ferramentas, mas me deu o direito de cometer meus próprios erros e aprender."
Enquanto devorava livros sobre o Ártico, Tamara trilhou seu caminho com uma especialização na área naval na Escola Superior de Arquitetura de Nantes, França. Dessa forma, fez da navegação sua vida.
"A solidão se tornou mais ou menos minha zona de conforto", descreveu a velejadora. "Quando estou no mar, no meu barco, não importa o meu gênero, minha idade ou de onde eu venho. Sou apenas o resultado das minhas escolhas a bordo. Para o mar, não importa se sou mulher ou homem, jovem ou velha."

Fonte: Folha de S. Paulo

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