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Como o vórtice polar e um oceano mais quente intensificaram a tempestade de inverno que atinge os EUA

29/01/2026

Uma forte tempestade de inverno que trouxe chuva congelante, granizo e neve a grande parte dos EUA no final de janeiro de 2026 provocou caos do Novo México à Nova Inglaterra. Centenas de milhares de pessoas ficaram sem energia elétrica em todo o sul do país, pois o gelo derrubou galhos de árvores e linhas de energia, mais de 30 centímetros de neve caíram em partes do Centro-Oeste e Nordeste, e muitos estados enfrentaram um frio intenso esperado para durar vários dias.
A repentina onda de frio pode ter sido um choque para muitos americanos após um início de inverno relativamente ameno, mas esse clima mais quente pode ter contribuído em parte para a ferocidade da tempestade.
Como cientistas atmosféricos e climáticos, conduzimos pesquisas que visam melhorar a compreensão do clima extremo, incluindo o que torna sua ocorrência mais ou menos provável e como as mudanças climáticas podem ou não influenciar nisso.
Para entender o que os americanos estão enfrentando com esta onda de frio, precisamos olhar mais de 32 km acima da superfície da Terra, para o vórtice polar estratosférico.

🎤​ O que cria uma tempestade de inverno severa como essa?
Vários fatores climáticos precisam se alinhar para produzir uma tempestade tão grande e severa.
Tempestades de inverno geralmente se desenvolvem onde há contrastes acentuados de temperatura perto da superfície e uma inclinação para o sul na corrente de jato, a faixa estreita de ar em movimento rápido que direciona os sistemas climáticos. Se houver uma fonte substancial de umidade, as tempestades podem produzir chuva forte ou neve.
No final de janeiro, uma forte massa de ar do Ártico criava um contraste de temperatura com o ar mais quente ao sul. Várias perturbações na corrente de jato atuavam em conjunto para criar condições favoráveis à precipitação, e o sistema de tempestades foi capaz de puxar a umidade do golfo do México, que estava muito quente.


🎤 Onde entra o vórtice polar?
Os ventos mais rápidos da corrente de jato ocorrem logo abaixo do topo da troposfera, que é o nível mais baixo da atmosfera e termina a cerca de 11 km acima da superfície da Terra. Os sistemas climáticos são limitados ao topo da troposfera, porque a atmosfera acima dela se torna muito estável.
A estratosfera é a camada seguinte, de cerca de 11 km a cerca de 48 km. Embora a estratosfera se estenda bem acima dos sistemas climáticos, ela ainda pode interagir com eles por meio de ondas atmosféricas que se movem para cima e para baixo na atmosfera. Essas ondas são semelhantes às ondas na corrente de jato que fazem com que ela desça para o sul, mas se movem verticalmente em vez de horizontalmente.
Você provavelmente já ouviu o termo "vórtice polar" ser usado quando uma área de ar frio do Ártico se move para o sul o suficiente para influenciar os Estados Unidos. Esse termo descreve o ar que circula ao redor do polo, mas pode se referir a duas circulações diferentes, uma na troposfera e outra na estratosfera.
O vórtice polar estratosférico do hemisfério Norte é um cinturão de ar em movimento rápido que circula ao redor do polo Norte. É como uma segunda corrente de jato, bem acima daquela com a qual você provavelmente está familiarizado nos gráficos meteorológicos, e geralmente menos ondulada e mais próxima do polo.
Às vezes, o vórtice polar estratosférico pode se estender para o sul, sobre os Estados Unidos. Quando isso acontece, cria condições ideais para o movimento ascendente e descendente de ondas que conectam a estratosfera com o clima rigoroso do inverno na superfície.
A previsão para a tempestade de janeiro mostrou uma sobreposição próxima entre o alongamento para o sul do vórtice polar estratosférico e a corrente de jato sobre os EUA, indicando condições perfeitas para frio e neve.
As maiores oscilações na corrente de jato estão associadas a uma maior energia. Sob as condições certas, essa energia pode ricochetear no vórtice polar de volta para a troposfera, potencializando as oscilações norte-sul da corrente de jato na América do Norte e tornando mais provável um inverno rigoroso.
Foi isso que aconteceu no final de janeiro de 2026 no centro e no leste dos EUA.

Termine de ler esta reportagem clicando na Folha de S. Paulo

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