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Mundo teve o 5º mês de janeiro mais quente já registrado, apesar de frio nos EUA e na Europa

12/02/2026

Apesar das fortes ondas de frio que atingiram a Europa e os Estados Unidos, o mundo vivenciou o quinto mês de janeiro mais quente já registrado, atrás apenas de 2025, 2024, 2020 e 2016. Os dados são do observatório Copernicus, ligado à União Europeia, e foram publicados nesta terça-feira (10).
Os pesquisadores calculam que a temperatura média global do ar no período foi de 12,95°C. A marca é 1,47°C acima da era pré-industrial (de 1850 a 1900), usada como referência dos padrões climáticos antes da emissão de gases do efeito estufa, e apenas 0,03°C abaixo da meta de 1,5°C estabelecida pelo Acordo de Paris, assinado em 2015.
O Copernicus indica que o Ártico registrou os maiores aumentos dos termômetros em janeiro, em especial a Groenlândia, pertencente à Dinamarca e cobiçada por Donald Trump, presidente dos EUA.
Praticamente toda ilha teve temperaturas pelo menos 3°C acima da média de 1991 a 2020, e o aquecimento ultrapassou 6°C na porção oeste do território. O nordeste do Canadá e o extremo leste da Rússia também tiveram desvios superiores a 6°C.
Os oceanos registraram 20,68°C, o quarto maior valor para o mês, e algumas porções do Atlântico norte documentaram a maior temperatura para o período. O relatório afirma que a extensão do gelo no Ártico foi 6% abaixo da média, sendo a terceira pior medição em janeiro.
Os termômetros também superaram o esperado no sul da América do Sul, no norte da África e na Ásia central, além de boa parte da Austrália e da Antártida.
A situação contrasta com o continente europeu, onde a média ficou em -2,34°C, a menor medição para o mês desde 2010 e 1,63°C abaixo das observações de 1991 a 2020. Condições mais frias também predominaram na Sibéria e nas regiões central e leste dos EUA.
"Janeiro de 2026 trouxe um lembrete contundente de que o sistema climático pode, às vezes, provocar simultaneamente um clima muito frio em uma região e calor extremo em outra", disse Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, em comunicado.
Os dados a nível planetário reforçam que o aquecimento global não significa que eventos extremos de frio deixarão de ocorrer.
"Essas flutuações regionais de temperatura podem temporariamente pesar mais do que a tendência de aquecimento de longo prazo, mas não contradizem nossa compreensão das mudanças climáticas", afirma o Copernicus.
O observatório diz que as ondas de frio foram impulsionadas principalmente por mudanças no padrão de circulação da corrente de jato polar, uma faixa de ventos de alta velocidade a cerca de 8 a 12 km de altitude que confina o ar frio no Ártico.
O enfraquecimento do vórtice polar, outra estrutura de ventos fortes e frios e que fica ainda mais acima na atmosfera, também contribuiu para a queda brusca nos termômetros, e as alterações fizeram com que as massas geladas se espalhassem para os EUA.
De acordo com o Copernicus, a redução da diferença de temperatura entre o Ártico —a região que esquenta mais rapidamente no mundo— e as latitudes médias favorece as perturbações.
O relatório afirma que chuvas acima do esperado provocaram danos em diversas partes do mundo, incluindo a Itália, o Reino Unido e a Península Ibérica, onde uma tempestade matou quatro pessoas na região de Lisboa. O relatório também destaca precipitação além do esperado para janeiro no sudeste do Brasil e no sul dos EUA.

Fonte: Folha de S. Paulo

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