
27/10/2026
A algumas centenas de quilômetros pela costa do Mediterrâneo a partir de Antalya, onde a Turquia sediará no próximo mês a cúpula climática COP31, fica a praia de Adanalioglu. Em sua faixa de areia, pedaços de plástico triturado do tamanho de uma unha, em cores vivas e artificiais, são levados regularmente até a costa.
"Certa vez, encontrei um pequeno pedaço de plástico turquesa dentro de um robalo", disse Ahmet Takar, 46, pescador amador que frequenta a praia. "Nos últimos anos, há menos peixes."
Especialistas responsabilizam as instalações de reciclagem da vizinha Adana, que processam resíduos do Reino Unido e da Europa, além de plástico doméstico, por permitirem que essas partículas escapem para o meio ambiente. Elas se acumulam nas margens dos canais de irrigação que alimentam o rio Seyhan, cujo curso deságua no mar Mediterrâneo a cerca de 20 km da praia. As correntes marítimas podem então carregar a poluição ao longo da costa.
Grande parte do mundo enfrenta um crescimento acelerado do volume de plástico descartado. A Turquia importa centenas de milhares de toneladas por ano, que podem envenenar a vida marinha, contaminar terras agrícolas e entrar na cadeia alimentar humana. E se espera que o volume de resíduos recebido pelo país aumente.
Antes da COP31, autoridades turcas e grupos ambientalistas pressionam por medidas mais rigorosas contra a poluição plástica e em favor da reciclagem. No ano passado, as negociações globais para reduzir os resíduos plásticos fracassaram porque alguns países queriam priorizar a coleta e a reciclagem, em vez de limitar a produção. Agora, a Turquia busca um compromisso para reduzir pela metade o crescimento do volume global de resíduos até 2035. O total gerado já supera 2,5 bilhões de toneladas métricas por ano.
"Nosso objetivo é colocar o desperdício zero e a redução do metano no centro da ação climática", afirmou em junho o ministro do Meio Ambiente da Turquia, Murat Kurum.
Grupos ambientalistas turcos também defendem cortes na produção de plástico e nas embalagens descartáveis, regras mais rígidas para a exportação de resíduos e maior responsabilidade dos produtores.
A UE concordou em reduzir os resíduos de embalagens, adotou regras mais rigorosas para exportações em maio e deve apresentar uma Lei de Economia Circular ainda neste ano, com o objetivo de estimular a demanda por plástico reciclado dentro do bloco. Ainda assim, também foi criticada pela indústria — incluindo a gigante de energia ExxonMobil Holdings Corp.— por não fazer o suficiente para apoiar novas tecnologias de reciclagem química.
O governo britânico criou uma Força-Tarefa para a Economia Circular em novembro de 2024, mas ainda não publicou uma estratégia. Um porta-voz do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais afirmou que o Reino Unido já impõe controles rigorosos às exportações de resíduos e que o volume enviado a aterros sanitários está diminuindo.
Em uma avaliação de setembro, a Comissão Europeia afirmou que, nos últimos anos, foram identificados na Turquia "problemas graves relacionados tanto aos resíduos plásticos domésticos quanto aos importados", incluindo poluição marinha, danos à vida selvagem, queima a céu aberto e descarte irregular de plástico.
A Turquia tornou a regulamentação do setor mais rígida, intensificou as inspeções das instalações de reciclagem e elevou as multas, mas a falta de transparência e de dados prejudica o monitoramento do sistema, segundo a comissão. Ainda assim, o órgão concluiu que as exportações de resíduos para a Turquia deveriam continuar. O Ministério do Meio Ambiente da Turquia não comentou.
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