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Pesquisadores flagram caça e patrulha de tubarões em Fernando de Noronha; VÍDEO

24/02/2026

Pesquisadores registraram imagens de tubarões em ações de patrulha e de caça na Baía do Sueste, em Fernando de Noronha. O trabalho faz parte do projeto que monitora áreas de berçário do tubarão-limão (Negaprion brevirostris) e do tubarão-bico-fino (Carcharhinus perezi), espécie conhecida popularmente como tubarão-cabeça-de-cesto.
O objetivo é entender o comportamento dos animais e reforçar ações de conservação. A coordenadora do Projeto Tubarões e Raias de Noronha, Bianca Rangel, explicou que os registros ajudam a identificar o que os tubarões estão fazendo em cada situação.
Segundo a estudiosa, a equipe de pesquisa tenta diferenciar quando os animais estão caçando, se reproduzindo ou apenas nadando sem buscar alimento ou parceiro.
Os estudiosos também flagraram filhotes caçando. De acordo com Bianca, que também é pesquisadora da Universidades de São Paulo (USP), os animais ficam no meio de cardumes de sardinha e usam a mesma estratégia dos adultos. “Eles caçam da mesma forma desde que nascem. Isso é incrível”, afirmou.
Os pesquisadores também apontam tentativas frequentes de tubarões adultos nos ataques aos filhotes na Baía do Sueste.
As observações indicam que o canibalismo, comportamento já descrito para o tubarão-limão, pode estar acontecendo com mais intensidade nesse ponto da ilha.
“Observamos que os adultos vão até áreas bem rasas, principalmente na Baía do Sueste, para tentar caçar os filhotes. Ainda não sabemos por que esse comportamento ocorre, mas estamos coletando dados para entender melhor essa característica da espécie”, disse a pesquisadora.
Durante 14 dias de monitoramento, entre janeiro e fevereiro deste ano, a equipe capturou 27 filhotes de tubarão-limão e 12 de tubarão-bico-fino, na primeira expedição de estudo em 2026.
Os filhotes são capturados para marcação com microchip, coleta de amostras de sangue e tecido dérmico, além de medição e pesagem.
“Esses dados são muito importantes para acompanharmos o estado de saúde dos filhotes. Queremos entender como a crescente urbanização de Noronha e o contato constante com pessoas podem afetar a vida desses animais, prevendo medidas para a conservação das espécies estudadas”, afirmou Bianca Rangel.
O monitoramento detalhado começou na temporada de nascimento de 2023/2024. O trabalho inclui observações em campo, capturas científicas, uso de drones e registros feitos por moradores e visitantes. Até agora, 180 filhotes das duas espécies já foram capturados e marcados.
Os resultados preliminares mostram que os filhotes aparecem praticamente ao redor de toda a ilha. Mas duas áreas se destacam como berçários naturais principais: a Baía do Sueste e a Praia do Porto.
Outros locais com registros frequentes, principalmente por moradores e visitantes, incluem as praias do Atalaia e do Leão.
As imagens feitas com drones mostram mudanças rápidas no comportamento dos filhotes. Nos primeiros dias de vida, eles fogem quando pessoas se aproximam.
“Observamos que, nos primeiros dias, eles fogem mais rapidamente. Depois, parecem se acostumar e se aproximam mais das pessoas”, explicou Bianca.
Apesar da aproximação, não há registros de ataques sem provocação. O único caso ocorreu quando uma turista tentou pegar um filhote na beira da praia e acabou mordida.
A pesquisa conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Fonte: g1

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