
26/02/2026
Com a emergência climática ameaçando cidades em todo o mundo, muitas soluções de arquitetura estão se tornando cada vez mais presentes em projetos de construções urbanas. Telhados verdes, jardins de chuva e ventilação natural são alguns exemplos. Mas, há 60 anos, o arquiteto Franz Heep já havia projetado a fachada do Edifício Itália, um dos ícones da arquitetura do centro de São Paulo, usando modelagens térmicas e painéis automatizados, muito antes de sensores.
A fachada inteligente foi criada com base na observação climática e lógica construtiva. O uso estratégico de brises-soleil controla a incidência solar, favorece a iluminação natural e reduz a carga térmica interna. A forma elíptica e o desenho das aberturas estimulam a circulação de ar, contribuindo para o conforto térmico diminuindo o uso de ar-condicionado e, consequentemente, de energia elétrica.
Em um momento em que edifícios respondem por uma parcela significativa do consumo energético nas cidades, estratégias projetuais como as adotadas no Edifício Itália ganham nova relevância. Mesmo construído em concreto e vidro, materiais muitas vezes associados ao alto impacto térmico, o prédio apresenta desempenho comparável ao de projetos contemporâneos voltados à eficiência ambiental.
A longevidade do edifício é um outro aspecto sustentável que deve estar presente em qualquer projeto: construir para durar. Seis décadas após a inauguração, o Itália mantém desempenho funcional e relevância urbana, demonstrando como decisões projetuais influenciam em custos operacionais, conforto e adaptação climática mesmo ao longo do tempo.
Mais do que um marco da verticalização paulistana, o edifício se pode ser um estudo de caso para mostrar como a arquitetura, a cidade e o clima estão conectados e devem fazer parte de bons projetos. Em um cenário de emergência climática e revisão de padrões construtivos, revisitar obras como o projeto de Franz Heep ajuda a compreender que inovação nem sempre depende de tecnologia sofisticada, mas da compreensão do comportamento climático e da influência que design e materiais podem ter em diferentes cenários.
Como parte das comemorações dos seus 60 anos, o Edifício Itália promove, em março, uma segunda edição do Tour Guiado gratuito sobre arquitetura e arte, conduzido pela professora e arquiteta Ana Salvi, em parceria com a KPMO Cultura e Arte.
A ideia é que os estudantes e profissionais interessados em sustentabilidade aplicada ao raciocínio projetual possam compreender que projetar com consciência começa, sobretudo, pela leitura atenta do clima e da cidade.
O tour terá vagas limitadas. A data, o horário e o link para inscrição serão divulgados nas redes sociais do @edificioitaliaoficial
Para conhecer a história completa do arranha-céu, a KPMO Cultura e Arte publicou o livro Edifício Itália, que aborda desde a formação da comunidade italiana em São Paulo até o concurso de projetos, o processo de construção e a inauguração do edifício.
Editora: KPMO Cultura e Arte
Textos: Anat Falbel e Keila Prado Costa
Orelha: Paulo Bruna
Prefácio: José Eduardo de Assis Lefèvre
Direção de arte e pesquisa iconográfica: Marcello de Oliveira
Ano: 2020
Número de páginas: 176
Medidas: 23×28 cm
Fonte: CicloVivo
Há 60 anos, Edifício Itália antecipou arquitetura sustentável
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