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Formiga transforma CO₂ em armadura de pedra no próprio corpo

05/03/2026

Pesquisadores descobriram que uma formiga consegue sequestrar o CO₂ acumulado no ambiente e transformá-lo em rocha, incorporando o mineral ao próprio casco como uma espécie de “armadura”.

🐜 O estudo mostra que a formiga Sericomyrmex amabilis, uma espécie agricultora da América Latina, sequestra CO₂ dentro do próprio ninho e o converte diretamente em um mineral que passa a revestir seu corpo.

O mecanismo pode oferecer novos insights sobre tecnologias de captura e armazenamento de carbono, consideradas essenciais no enfrentamento do aquecimento global.
As formigas agricultoras vivem em colônias densas e subterrâneas. A respiração das formigas e dos fungos cultivados pode elevar a concentração de CO₂ nas câmaras internas.
Sem ventilação adequada, o gás pode atingir níveis tóxicos para os insetos.
Segundo o estudo, a biomineralização ajuda a reduzir esse acúmulo, funcionando como uma espécie de sistema de “limpeza” química do ar do ninho. Ao transformar o CO₂ em carbonato sólido, o gás deixa de circular no ambiente interno.
O processo é incomum. A maioria dos animais que produz estruturas mineralizadas utiliza carbono dissolvido em fluidos corporais. No caso da S. amabilis, a conversão ocorre diretamente na superfície da cutícula.
O mecanismo funciona como uma versão biológica acelerada do intemperismo geológico — processo natural em que rochas reagem com CO₂ atmosférico e formam minerais carbonatos, ajudando a regular o clima da Terra ao longo de milhões de anos.

🐜 A camada mineral reveste quase todo o corpo do inseto, com espessura entre 7 e 20 micrômetros. Para comparação, um fio de cabelo humano tem, em média, cerca de 70 micrômetros de diâmetro. Ou seja, é uma camada muito fina.

Apenas regiões que precisam de maior sensibilidade ou flexibilidade, como as pontas das antenas e das pernas, ficam livres do revestimento.
A mineralização do carbono é considerada uma das formas mais estáveis de armazenamento de CO₂. Diferentemente do carbono capturado por plantas, que pode retornar rapidamente à atmosfera pela decomposição, o carbono incorporado a minerais pode permanecer estável por milhares de anos.
Hoje, pesquisadores buscam maneiras de acelerar artificialmente esse tipo de processo para capturar e armazenar carbono de forma permanente. Isso porque o CO₂ é um dos principais gases do efeito estufa, e o volume de emissões vem subindo a cada ano.
Os pesquisadores acreditam que entender como essas formigas conseguem formar dolomita rapidamente, em temperatura ambiente e sem condições extremas de pressão, pode ajudar a revelar caminhos químicos e biológicos ainda pouco explorados.
Em escala global, uma colônia de formigas não altera o clima do planeta. Mas a descoberta mostra que a natureza já realiza, de forma eficiente, um tipo de engenharia química que a humanidade tenta reproduzir para enfrentar o aquecimento global.

Fonte: g1

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