UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Ferry elétrico “voador” corta 94% das emissões em Estocolmo

10/03/2026

Em Estocolmo, cidade espalhada por 14 ilhas, a água não é apenas cenário — ela faz parte do sistema de mobilidade. Agora, a capital sueca começa a mostrar que esses canais podem também se tornar uma solução climática e urbana, oferecendo deslocamentos mais rápidos e com impacto ambiental muito menor. No fim de 2024, a cidade colocou em operação um ferry elétrico equipado com hidrofoils — estruturas submersas que fazem a embarcação se elevar acima da superfície da água durante a navegação. Pouco mais de um ano depois, a Administração Sueca de Transportes avaliou o projeto piloto e considerou a experiência um sucesso.
Os resultados são expressivos. O tempo de viagem praticamente caiu pela metade, o número de passageiros aumentou e as emissões de dióxido de carbono ficaram cerca de 94% menores quando comparadas às de balsas a diesel de tamanho equivalente. O avanço tem um peso especial em Estocolmo: os ferries movidos a diesel respondem por quase metade das emissões do transporte público da cidade. Nesse contexto, a nova tecnologia pode representar uma mudança importante na forma como o sistema de mobilidade urbana funciona.
A embarcação utilizada no projeto é a Candela P-12 Shuttle, que atualmente faz o trajeto entre o subúrbio de Ekerö e o centro de Estocolmo, próximo ao prédio da prefeitura. Antes da introdução do novo ferry, o deslocamento levava cerca de 55 minutos. Com a nova embarcação, a viagem passou a durar aproximadamente 30 minutos. Segundo o fabricante, trata-se hoje da embarcação elétrica de passageiros mais rápida em operação no mundo. Ainda assim, a velocidade não é o único fator relevante. As avaliações do piloto indicam que o sistema também se destaca pela eficiência energética. Diante dos resultados iniciais, autoridades locais passaram a discutir a iniciativa como uma possível “mudança de paradigma” no uso das vias navegáveis urbanas — sobretudo em cidades cuja geografia já é profundamente marcada pela presença da água.
De acordo com a Candela, o P-12 é o primeiro ferry elétrico com hidrofoils controlados por computador a entrar em produção em série. Abaixo do casco ficam asas de fibra de carbono — os hidrofoils — que geram sustentação à medida que a embarcação acelera. Quando o barco atinge a velocidade de cruzeiro, ele se eleva acima da água, reduzindo significativamente o atrito com a superfície. Com menos resistência, a embarcação consegue navegar mais rápido consumindo muito menos energia. Um sistema de computador de bordo monitora constantemente o movimento do ferry e ajusta o ângulo das quilhas em tempo real. Sensores ajudam a manter a estabilidade da embarcação enquanto ela “voa” sobre a água.
Na prática, isso se traduz em uma viagem mais suave do que a de balsas tradicionais. A tecnologia também traz benefícios ambientais adicionais. Como o ferry gera um rastro muito menor — semelhante ao de um pequeno bote com motor de popa — o impacto sobre a erosão das margens é reduzido. O ruído produzido também é significativamente menor. Medições indicam que o nível sonoro da embarcação equivale ao de um carro circulando a 45 quilômetros por hora e se torna praticamente imperceptível a cerca de 24 metros de distância.
Os resultados do projeto piloto também surpreenderam no aspecto econômico. Durante o período de testes, o número de passageiros da linha que liga Ekerö ao centro da cidade aumentou 22,5%. O dado sugere que a combinação de rapidez e conforto tem potencial para atrair mais usuários para o transporte aquaviário. Outro fator que ajudou a melhorar o desempenho da linha foi o rastro mínimo produzido pela embarcação. Graças a isso, o ferry recebeu uma autorização especial para operar a cerca de 25 nós — mais que o dobro do limite habitual de 12 nós.
A Administração Sueca de Transportes recomendou que isenções semelhantes sejam avaliadas para outras rotas, o que poderia facilitar a expansão da tecnologia. Segundo o relatório do projeto piloto, substituir duas balsas a diesel por seis embarcações do modelo P-12 permitiria aumentar a frequência das partidas — passando de um barco por hora para um a cada 15 minutos. A capacidade de transporte de passageiros também poderia crescer cerca de 150%. O benefício socioeconômico estimado dessa mudança chega a 119 milhões de coroas suecas, o equivalente a aproximadamente 13,1 milhões de dólares, além de reduzir o custo por viagem. Outro ponto considerado positivo é que as adaptações necessárias na infraestrutura de carregamento em terra são relativamente modestas em comparação com as exigidas por outras balsas elétricas. Os custos operacionais também tendem a ser menores, principalmente devido à redução no consumo de combustível e à manutenção mais simples.
Para Gustav Hasselskog, fundador e CEO da Candela, o impacto da tecnologia pode se estender muito além da capital sueca. “A Candela P-12 pode transformar as vias navegáveis urbanas”, disse ele. “Ao combinar alta velocidade, consumo mínimo de energia e emissões quase nulas, podemos viabilizar um transporte aquaviário mais rápido, limpo e econômico para cidades em todo o mundo.” A experiência já desperta atenção internacional. Berlim e Mumbai anunciaram planos para introduzir embarcações semelhantes a partir de 2026. Ao mesmo tempo, destinos nas Maldivas e na Tailândia também estudam a adoção da tecnologia.

Fonte: CicloVivo

Novidades

Periferias arborizadas derrubam poluição do ar em Bogotá

17/03/2026

Bogotá está mais uma vez dando bons exemplos de como o planejamento urbano pode – e deve – trazer so...

Guerra no Irã pode impulsionar mudança para energia limpa, mas também para o carvão

17/03/2026

A guerra no Irã está interrompendo o fornecimento de petróleo e gás e elevando os preços de energia ...

O chinês preso tentando contrabandear 2 mil formigas rainhas do Quênia

17/03/2026

Um cidadão chinês foi preso no principal aeroporto do Quênia, acusado de tentar contrabandear mais d...

Falta investimento global em ciência oceânica, diz especialista em política marinha da Unesco

17/03/2026

Em uma semana chuvosa, cientistas de vários países —ligeiramente decepcionados com a recepção cinzen...

Mudança climática está deixando os dias mais longos — e isso nunca aconteceu tão rápido em 3,6 milhões de anos

17/03/2026

Os dias na Terra estão ficando um pouco mais longos — e a mudança climática pode ser a principal res...

Enchentes deixam rastro de destruição e ao menos 66 mortos no Quênia

17/03/2026

Ao menos 66 pessoas, incluindo oito crianças, morreram desde que fortes chuvas e enchentes atingiram...