
28/04/2026
Muito se fala sobre o potencial da mobilidade ativa para reduzir as emissões de poluentes nas cidades. Mas como isso se traduz na prática? Um estudo recente da Universidade de Münster, na Alemanha, revela que o uso de bicicletas elétricas (e-bikes) pode reduzir, em média, 526,9 kg de CO₂ por pessoa ao ano. O dado evidencia a importância crescente desse modal como alternativa sustentável no transporte urbano.
A pesquisa, conduzida pelo Instituto de Economia dos Transportes Münster, mostra que a principal razão para essa redução está na substituição direta de viagens feitas por carros e motos: dois dos maiores emissores de gases poluentes nas cidades.
O avanço das e-bikes não é apenas teórico. Atualmente, há mais de 150 milhões de bicicletas elétricas em uso no mundo, com forte presença nos mercados da Ásia‑Pacífico (sobretudo na China) e expansão consistente na Europa.
No Brasil, o mercado também está em alta. Dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas indicam crescimento contínuo nas vendas, refletindo uma mudança gradual nos hábitos de mobilidade urbana.
Segundo especialistas, o sucesso das bicicletas e a sua capacidade de apoio na redução de emissões convergem porque “elas substituem carros e motos em muitos deslocamentos do dia a dia, tirando da rua veículos que emitem poluentes. Além disso, não emitem CO₂ durante o uso e consomem pouquíssima energia. Na prática, cada bicicleta da Lev já evita, em média, cerca de 0,39 tonelada de CO₂ por ano, segundo estudo do LabMob/UFRJ”, afirma Anna Luiza Sá, Coordenadora de Compras e Especialista de ESG da marca Lev.
O uso das e-bikes também reflete uma transformação no comportamento urbano. Hoje, a maior parte dos usuários no Brasil é formada por adultos entre 30 e 59 anos, concentrados em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro.
Antes associadas ao lazer, as bicicletas elétricas passam a ocupar um papel funcional no cotidiano, sendo utilizadas para ir ao trabalho, estudar ou resolver tarefas diárias. Outro destaque é o aumento da participação feminina, indicando diversificação do público e maior adesão ao modal.
Apesar do crescimento, a expansão do uso de e-bikes no Brasil ainda esbarra em um obstáculo importante: a infraestrutura urbana. Onde há ciclovias conectadas e seguras, o uso de e-bikes aumenta. Por outro lado, a falta de estrutura adequada ainda limita o potencial de crescimento. “Muitas pessoas querem usar, mas não se sentem seguras”, destaca Anna Luiza.
Nesse sentido, o estudo da Universidade de Münster também aponta que a compra de uma e-bike tende a gerar mudanças permanentes de comportamento. Usuários passam a utilizá-la com frequência durante a semana, substituindo viagens que antes seriam feitas por carro ou aplicativos de transporte.
Para que esse modelo ganhe escala no Brasil, Anna Luiza Sá aponta três fatores essenciais:
expansão da infraestrutura cicloviária
incentivos públicos
maior acesso a modelos mais acessíveis
“Com políticas de incentivo, expansão de ciclovias e maior diversidade de produtos, as e-bikes têm potencial para integrar o coração das cidades, reduzindo emissões e transformando a forma como os brasileiros se deslocam”, conclui.
Fonte: CicloVivo
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