
28/04/2026
Rios urbanos foram canalizados e enterrados por décadas no Brasil. Desapareceram da paisagem, mas não dos problemas urbanos. Esses cursos d’água voltam ao centro do debate urbano como parte da solução para enchentes e para a adaptação às mudanças climáticas. Com o aumento de eventos extremos de chuva, especialistas defendem a renaturalização de rios como estratégia essencial para reduzir impactos e tornar as cidades mais resilientes.
A paisagista urbana Cecília Herzog, consultora internacional em projetos que utilizam Soluções Baseadas na Natureza (SBN) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), afirma que a recuperação dos cursos d’água é urgente. “A urbanização das cidades é extremamente complexa, mas a requalificação dos rios não é apenas desejável, é absolutamente fundamental para enfrentarmos um cenário climático cada vez mais desafiador”, afirma.
Segundo ela, o modelo urbano baseado na impermeabilização do solo e no ocultamento dos rios cobra um preço cada vez mais alto da população. “É importante lembrar que a água não desaparece. Com a chuva, ela sempre vai correr para os pontos mais baixos e, em algum momento, pode inundar essas áreas, principalmente nas regiões mais planas ou de baixada”, explica.
Nas cidades, o excesso de asfalto e concreto acelera o escoamento da água da chuva e aumenta o risco de enchentes. Para a especialista, a recuperação dos rios precisa vir acompanhada de uma requalificação mais ampla da paisagem urbana, com mais áreas verdes e solo permeável. “A água infiltra no solo, fica retida por algum tempo e depois segue seu curso de forma mais equilibrada. Em rios abertos, com seu curso natural e vegetação ciliar, o impacto da chuva é muito menor”, acrescenta.
As Soluções Baseadas na Natureza (SBN) são estratégias que utilizam processos naturais para enfrentar desafios urbanos, como enchentes e ilhas de calor. O conceito foi consolidado no início dos anos 2000 por instituições como o Banco Mundial e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), mas suas aplicações são bem mais antigas no Brasil.
Um exemplo é o Parque Barigui, em Curitiba (PR), criado nos anos 1970 em uma área de várzea sujeita a cheias. Além de conter enchentes, o espaço se tornou área de lazer e convivência. “Este exemplo mostra que é possível, e cada vez mais necessário, reintegrar a natureza ao desenvolvimento urbano”, afirma Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
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