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Arábia Saudita x Uruguai na Copa: fora do futebol, países vivem polos opostos da transição energética

18/06/2026

Antes de a bola rolar hoje entre Arábia Saudita e Uruguai pela Copa do Mundo de 2026, vale um olhar para outro contraste entre as duas seleções — um que não aparece no campo, mas que coloca os dois países em polos opostos quando o assunto é energia e meio ambiente.
A Arábia Saudita é hoje uma das nações mais dependentes de combustíveis fósseis do planeta.
🛢️ Praticamente toda a eletricidade do país vem de gás natural e petróleo, e as renováveis ainda representam uma fração mínima da geração.
🌱 Já o Uruguai caminha na direção contrária: mais de 99% da eletricidade gerada no país vem de fontes limpas, como hidrelétricas, usinas eólicas e biocombustíveis.
É uma das matrizes mais limpas do mundo, ao lado de países como Islândia e Costa Rica.
A diferença não é por acaso. A economia saudita foi historicamente construída em torno do petróleo, que ainda responde por boa parte do Produto Interno Bruto (PIB) do país e da receita do governo.
O reino saudita tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo e abriga a Aramco, maior produtora de óleo e gás do planeta.
Por isso, qualquer movimento de transição energética é visto com cautela: o dinheiro que poderia financiar a mudança vem justamente da fonte que precisa ser substituída.
O Uruguai, ao contrário, não tem reservas próprias de petróleo ou gás. A virada começou há quase duas décadas, quando o país enfrentava apagões e dependia de eletricidade importada dos vizinhos em anos de seca.
A solução encontrada foi atrair investimentos privados para projetos eólicos, com contratos de longo prazo que davam segurança para quem investia.
Em poucos anos, a participação da energia eólica na matriz uruguaia deu um salto expressivo, e o país passou de importador a exportador de energia para Brasil e Argentina.
Mas a história não é totalmente simples para nenhum dos dois lados. A Arábia Saudita tem investido em projetos gigantescos de energia solar e hidrogênio verde, parte de um plano que prevê metade da eletricidade vindo de fontes limpas até 2030.
Ainda assim, especialistas avaliam que essa meta está cada vez mais distante da realidade, já que as renováveis seguem representando uma parcela pequena da geração elétrica do país.
Já o Uruguai, apesar de ter praticamente resolvido o problema da eletricidade, enfrenta outro desafio: quando se consideram todas as emissões de gases de efeito estufa — não só as ligadas à energia, mas também à agropecuária —, o país aparece com números bem mais altos.
A pecuária, atividade central da economia uruguaia, é hoje a maior responsável pelas emissões totais do país.
Ou seja, ter uma rede elétrica limpa não significa, necessariamente, ter uma pegada climática baixa.

Fonte: g1

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