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Cientistas identificam cerca de 165 mil km² de recifes de coral capazes de sobreviver à crise climática

18/06/2026

Cientistas identificaram cerca de 165 mil km² de recifes de coral capazes de sobreviver e se recuperar das mudanças climáticas, revelou uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (16).
Recifes de coral, que sustentam um quarto de toda a vida marinha, têm sofrido forte estresse como resultado de tempestades tropicais violentas, poluição e eventos de branqueamento em massa decorrentes do aumento das temperaturas dos oceanos. Alguns cientistas dizem que o declínio é irreversível.
Mas uma análise de 45 mil levantamentos de corais, combinada com décadas de dados climáticos e oceânicos, identificou recifes resilientes ao clima em 71 países e cem territórios, incluindo partes do Caribe e dos oceanos Pacífico e Atlântico que não haviam sido reconhecidas anteriormente.
"Os recifes de coral são frequentemente retratados como ecossistemas que não têm mais salvação", afirmou Emily Darling, diretora de conservação de corais da Wildlife Conservation Society (WCS) e uma das autoras do relatório. "Essa pesquisa mostra o contrário: sabemos onde está a esperança e o que precisamos agora é de vontade política."
Atualmente, países elaboram planos de ação com o objetivo de pôr 30% de seus ambientes terrestres e marinhos sob proteção formal até o final da década. A nova pesquisa permitirá que os governos considerem a localização dos recifes de coral em seu planejamento.
"Apenas 28% dos recifes estão dentro de áreas protegidas e conservadas, então a oportunidade é clara, assim como a urgência, especialmente diante de um super El Niño que se aproxima", afirmou Darling em uma entrevista coletiva.
Stacy Jupiter, coautora e diretora-executiva do Programa Marinho Global da WCS, disse que os dados podem fornecer aos governos as informações necessárias para decidir onde os recursos limitados serão aplicados e dar aos recifes mais resilientes a melhor chance possível de sobrevivência.
"Em certos casos, onde os recifes estão abaixo de determinados parâmetros de função ecossistêmica, pode ser uma questão de triagem, onde talvez precisemos abandonar esses lugares", acrescentou Jupiter.

Fonte: Folha de S. Paulo

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