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Calor extremo atinge 1 bilhão de pessoas a mais que nos anos 1970, aponta estudo

23/06/2026

O calor extremo deixou de ser um problema de poucos lugares e de poucos dias.
Um levantamento global divulgado nesta segunda-feira (22) na revista científica "Nature Climate Change" calcula que cerca de 1 bilhão de pessoas a mais enfrentam hoje ao menos um dia de calor extremo por ano em comparação com os anos 1970 — e mostra que a parcela da população mundial exposta a essa condição saltou de 16% para 22%.
O estudo revela uma intensificação que os pesquisadores chamam de "multidimensional": o calor aperta de dia, à noite e, cada vez mais, nas duas pontas ao mesmo tempo.
E há um detalhe que chama a atenção: as noites mais quentes do ano estão esquentando mais depressa que os dias mais quentes.
A pesquisa foi conduzida por Rebecca Emerton e colegas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), no Reino Unido e na Alemanha.
A equipe analisou um banco de dados global de estresse térmico de 1950 a 2024 e comparou a década mais recente (2015–2024) com os anos 1970, ponto a partir do qual os indicadores começaram a subir de forma clara e contínua.
🌡️ ENTENDA: Estresse térmico é a carga líquida de calor que recai sobre o corpo. Ele depende não só da temperatura, mas também de umidade, vento e radiação solar.
Para medi-lo, os cientistas usaram o UTCI, sigla em inglês para Índice Climático Térmico Universal, uma espécie de "sensação térmica" que combina esses fatores e simula como o corpo humano reage ao ambiente.
O índice tem categorias de calor que vão de moderado, a partir de 26 °C, a forte, muito forte e extremo, quando há risco grave à saúde e a ação imediata é necessária.
Um dos principais achados do estudo aparece depois do pôr do sol. Na média global, as dez noites mais quentes de cada ano aqueceram 0,32 °C por década desde os anos 1970, acima do ritmo observado nos dez dias mais quentes, de 0,27 °C por década.
Segundo Emerton, isso ocorre porque a atmosfera, aquecida pela maior concentração de gases de efeito estufa, retém mais calor durante a noite, quando a superfície deveria esfriar.
O aumento da umidade e mudanças na cobertura de nuvens também podem dificultar esse resfriamento.
O problema é que o corpo depende da noite para se recuperar.
"O calor noturno é importante para a saúde humana porque as pessoas dependem de noites mais frescas para ter alívio e se recuperar do calor do dia", afirmou a pesquisadora ao g1.
🌎 A América do Sul está entre as regiões onde o calor mais avançou. Em boa parte do continente, incluindo o Brasil, a sensação térmica máxima nos dias mais quentes subiu de 2 °C a 4 °C desde os anos 1970.
À noite, nos mesmos períodos, a mínima percebida aumentou de 1 °C a 3 °C.
O número de dias perigosos também cresceu. No norte da América do Sul, há até 80 dias a mais por ano com calor "muito forte" em relação aos anos 1970.
Em áreas subtropicais, como Sul e Sudeste do Brasil, o estudo identificou até 50 dias a mais por ano com calor de forte a extremo.

A íntegra desta reportagem pode ser lida no g1

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