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As 4 regras de ouro do Japão para tornar suas cidades mais habitáveis

01/09/2026

O que faz com que uma cidade seja realmente fácil de se habitar?
A resposta não está necessariamente em arranha-céus envidraçados nem em atrações mundialmente famosas, mas sim na possibilidade de se ir ao trabalho sem precisar de carro, de se fazer compras a pé, transitar por uma estação de trem em uma cadeira de rodas ou empurrar um carrinho de bebê com segurança pela calçada.
As cidades do Japão são especialmente boas nesses atributos.
No Índice Global de Habitabilidade de 2026 da Economist Intelligence Unit, Osaka ocupou o sétimo lugar e Tóquio subiu três posições, chegando ao décimo posto, o que faz do Japão o único país asiático com duas cidades entre as dez primeiras.
Essa ascensão reflete as pontuações máximas obtidas nos critérios de estabilidade, assistência médica e educação, além de boa infraestrutura.
Seus moradores afirmam, no entanto, que o verdadeiro diferencial reside nas decisões de design, tomadas com o objetivo de fazer com que a vida cotidiana flua com o mínimo possível de contratempos.
"O Japão foi construído para funcionar para todos", diz Josh Grisdale, usuário de cadeira de rodas motorizada, diretor da plataforma Accessible Japan, que compartilha informações sobre acessibilidade no país, e morador de Tóquio há 18 anos.
"As mesmas rampas, elevadores e espaços que utilizo como cadeirante também ajudam um pai ou mãe com carrinho de bebê, um idoso ou alguém que chega do aeroporto carregando uma mala", ressalta.
Para o arquiteto Francis Aguillard, que estudou o design urbano japonês, os detalhes mais simples do dia a dia costumam ser os que geram maior impacto. "A habitabilidade muitas vezes se resume a reduzir os entraves da vida cotidiana", afirma.
"Uma pessoa consegue chegar ao trabalho, à escola, ao supermercado, a um parque, ao médico e visitar amigos sem ter que organizar todo o seu dia em torno do carro?", continua.
Para muitos japoneses, a resposta é sim. Conversamos com eles e com especialistas em planejamento urbano para entender como o país projeta cidades que funcionam bem e quais são os aspectos que as tornam tão fáceis de se viver.

1. Construir cidades em torno da vida cotidiana

Grande parte da vida cotidiana no Japão acontece nos "shotengai" — ou seja, ruas comerciais cobertas repletas de estabelecimentos independentes, cujos proprietários muitas vezes moram acima de suas próprias lojas.
"Uma quitanda, uma cafeteria tradicional, uma clínica, uma loja de produtos a 100 ienes (R$ 3,2) e opções para jantar podem ser encontradas ao longo de algumas poucas quadras planas e cobertas", diz Grisdale.
Comprar mantimentos era uma tarefa que o americano Patrick Lydon detestava quando vivia nos Estados Unidos.
Isso mudou depois que ele e a esposa se mudaram para um bairro moderno de Osaka, ainda que a casa menor e a geladeira minúscula os tenham obrigado a fazer compras com mais frequência.
Agora, em vez do carro, eles vão de bicicleta ao mercado.
"De certa forma, a experiência é realmente agradável", diz Lydon, autor de The Possible City ("A Cidade Possível", em tradução literal), uma série de ensaios ilustrados que examina a vida no Japão e na Coreia.
"Ir ao supermercado pode se transformar em uma experiência social cotidiana que conecta você ao bairro. Todos, desde crianças até idosos, percorrem essa rua a pé todos os dias", explica.
É um conceito difícil de replicar em outros lugares, mas Lydon o compara ao que tornava tão especial a antiga "main street" dos Estados Unidos (via local que costumava concentrar parte do comércio em algumas áreas).
Projetar em uma escala centrada nas pessoas traz resultados.
"O cheiro de croquetes fritos que se espalha pelas ruas, os pequenos comércios administrados pelos proprietários dos imóveis, o fácil acesso ao transporte público, a sensação de segurança e comunidade para pessoas de todas as idades... é difícil exagerar o quanto tudo isso funciona bem", afirma.
As cidades japonesas também são projetadas para que os veículos se adaptem às ruas, e não o contrário, com vans de entrega compactas e pequenos caminhões circulando por vias construídas em escala humana.
"As ruas das cidades no Japão costumam funcionar como espaços compartilhados onde pedestres, bicicletas e veículos podem conviver", afirma Aguillard. "Longe de gerar caos, isso cria uma bela dança de atividades."

Vejas as outras três regras no g1

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