
06/05/2014
O novo acordo climático internacional, a ser firmado na França, em 2015, deve ser híbrido e flexível, dizem os governos dos países ricos. É um elemento novo ao debate e diferente do conceito de "legally binding" (legalmente vinculante) que dominou a tentativa frustrada de se conseguir um acordo em 2009, em Copenhague.
Se antes o bloco europeu alinhava-se com os países em desenvolvimento exigindo que o acordo tivesse metas obrigatórias e fosse uma legislação internacional forte e rígida, agora a ideia corre por outro trilho. Quem primeiro defendeu um acordo "híbrido e flexível" foram os EUA, em 2013. O bloco europeu parece ver a ideia com simpatia.
O que "híbrido e flexível" quer dizer ainda não está claro. Há anos os países discutem se o acordo climático tem que ter forte regulação internacional ou o oposto disso, deixar a cada país que decida o que fazer, em um sistema mais livre. "No meu entendimento, um acordo híbrido é algo no meio disto", diz Jennifer Morgan, diretora do programa de clima e energia do World Resources Institute (WRI), famoso centro de estudos sobre clima e energia, baseado nos EUA.
Ter metas ambiciosas de corte nas emissões continuaria a ser muito importante, mas não o único ponto fundamental. "Para a China, agora, o mais importante é controlar a poluição do ar. O país pode decidir ter uma meta de controle nas usinas térmicas e combinar isso com o acordo internacional", exemplifica. Na Índia, onde estima-se haver 400 milhões de pessoas sem energia elétrica, a decisão pode ser prover o acesso a energias limpas à população. "Isso tornaria o acordo muito mais relevante para os indianos."
"Os países viriam com suas contribuições, mas fariam isso com certo grau de transparência e contabilidade da redução nas emissões. Haveria uma moldura global que poderia, por exemplo, definir um gatilho para novos cortes, a frequência de novos ajustes no acordo, o compromisso de se colocar recursos em um fundo etc.", diz. "Seria uma tentativa de se combinar o melhor das duas ideias."
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