
03/06/2014
A preocupação ambiental está cada vez mais presente em diversos setores sociais, incluindo o design industrial e a engenharia, com a crescente substituição de materiais tradicionalmente usados, como aço, por exemplo, pela utilização de materiais naturais, de baixo impacto ambiental, adequando a arquitetura ao clima local. O projeto "Galpão de bambu e lonas têxteis utilizando tecnologias sustentáveis", que recebeu subsídios do programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico, da FAPERJ, reflete essa tendência. À base de bambu, lona têxtil, terra crua e fibras vegetais, foi erguido na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) um galpão adaptável, instalado ali desde setembro de 2013. O trabalho foi desenvolvido numa parceria entre a PUC-Rio e a empresa Bambutec, especializada na engenharia de produtos naturais, ecodesign e bioarquitetura.
Utilizar bambu no lugar do aço tornou-se uma troca inteligente e ecologicamente sustentável. Uma das vantagens dessa substituição é que o bambu tem resistência mecânica comparável ao aço, cada hectare cultivado consome toneladas de gás carbônico (CO2) da atmosfera, além de ser biodegradável. "A plantação de bambu promove a recuperação de áreas desmatadas e contribui para a formação de nichos ecológicos, atraindo espécies de insetos, pássaros e outros animais", explica o designer Mario Seixas, coordenador do projeto, sócio fundador da Bambutec e professor do departamento de Artes & Design da PUC-Rio.
Com 23m x 15m de comprimento, 230m2 de vão livre e 330m2 de área coberta, o ecogalpão demorou quatro meses sendo fabricado e cerca de 30 dias para ser montado. "Ele é todo montado no solo, modularmente e em sequência. Em sua construção, empregou-se um novo sistema construtivo que usa treliças espaciais de bambu cobertas com lonas tensionadas. Mesmo dispensando o uso de parafusos ou pregos, é extremamente segura. "Modelamos objetos e equipamentos com encaixes, sistemas tensionados e amarrações, numa estrutura que emprega treliças espaciais em todas as direções. Estudos mecânicos revelaram que o emprego do parafuso diminui a resistência mecânica do bambu, pois interrompe as fibras da planta. Trabalhamos com peças inteiras nesses sistemas modulares autoportantes", explica Seixas. Âncoras de concreto armado presas ao solo evitam o deslocamento da construção por ventos fortes.
A matéria completa pode ser lida no site da Faperj
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