
05/06/2014
Nos últimos 25 anos, enquanto a atenção do Brasil e do mundo sobre a Amazônia se concentrou no sobe e desce das taxas anuais de devastação, o desmatamento acumulado na floresta dobrou.
Hoje são 759,2 mil quilômetros quadrados, segundo dados do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais). Essa extensão equivale à metade do Amazonas, ou, em números internacionais, mais que o triplo da área do Reino Unido ou o dobro da Alemanha. São 19% do total de 3,9 milhões de quilômetros quadrados da parte brasileira da floresta.
A devastação, no entanto, é maior. O número se refere apenas à supressão total da floresta, o "corte raso". Não inclui áreas muito danificadas pela extração seletiva de madeira e também por incêndios do passado, segundo Dalton Morrisson Valeriano, gerente do Programa Amazônia do Inpe.
Em 1988, quando o corte raso acumulado chegou a 376,7 mil quilômetros quadrados, a Constituição estabeleceu a Floresta Amazônica como patrimônio nacional, cujas áreas teriam de ser utilizadas "dentro de condições que assegurem a preservação".
Nessa época, a atenção internacional sobre a Amazônia alcançou seu auge. Em 1987, as queimadas na região impressionaram os tripulantes da estação espacial soviética Mir e, em seguida, a imprensa internacional.
O governo brasileiro passou a ser criticado até por líderes estrangeiros – como o presidente francês François Mitterrand – pelos incentivos fiscais para pecuária e mineração na região desde os anos 70.
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