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El Niño deve provocar diminuição de chuvas na Amazônia e aumento na Região Sul

03/07/2014

A chegada do El Niño, que ocorreria até o fim do ano, teria intensidade "moderada", segundo um boletim emitido esta quinta-feira pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM). No Brasil, porém, seus efeitos podem ser agravados. Nos próximos três meses, o índice de pluviosidade deve passar por mudanças drásticas em grandes áreas do país.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), alguns estados da Região Norte teriam uma redução de até 45% no índice de chuvas no próximo trimestre. No Sul, as precipitações aumentariam aproximadamente 35%. Seus efeitos no sertão nordestino, que há três anos enfrenta uma estiagem, ainda são incertos.
- Nunca vimos, em um ano, uma concentração tão grande de anomalias na temperatura da superfície do mar. No Chile, ela já está 1,2 grau Celsius acima da média - destaca Edmo Campos, professor do Instituto Oceanográfico da USP e coautor do Relatório de Avaliação do Clima do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. - O aquecimento do Pacífico ocorre há mais de um mês. Se continuar neste ritmo, teremos um El Niño forte. Existem barreiras que, até agora, mantiveram a anomalia sob controle. As águas do Pacífico ficaram mais quentes, mas a nebulosidade e a intensidade dos ventos continuaram estáveis. Não houve, então, uma interação entre o oceano e a atmosfera.
Como a temperatura do Pacífico continua aumentando, é provável que os obstáculos que seguram o El Niño caiam nos próximos meses.
"Demos avisos prévios a governos de todo o mundo a fim de que façam planos de contingência para o impacto que se espera do El Niño este ano na agricultura, na gestão de água, na saúde e em outros setores sensíveis ao clima", ressaltou, em comunicado, o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud. "Nós permanecemos vulneráveis a essa força da natureza, mas podemos nos proteger estando mais bem preparados". Segundo Jarraud, é muito cedo para avaliar como o El Niño abalará as temperaturas globais deste ano. O aquecimento global, porém, poderá "fortalecer" o fenômeno nas próximas décadas.

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