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Como produzir mais comida sem agredir o meio ambiente

22/07/2014

Aumentar a produção mundial de alimentos sem, no entanto, impor ainda mais pressões sobre o meio ambiente que podem agravar problemas como mudanças climáticas, falta de água e poluição é outro grande desafio no atendimento da maior demanda provocada pelo crescimento da população mundial. Em relatório também publicado na edição desta semana da revista “Science”, porém, um grupo de pesquisadores liderado por Paul West, codiretor da Iniciativa para Paisagens Globais do Instituto do Meio Ambiente da Universidade de Minnesota, nos EUA, indica uma série de estratégias que pode ajudar não só a alimentar mais de 3 bilhões de pessoas como diminuir a pegada ambiental da agricultura.
Focado em 17 cultivos que respondem por 86% das calorias vegetais produzidas no planeta, cobrem 58% das terras agriculturáveis, usam 95% das áreas irrigadas, consomem 92% da água usada em irrigação e cerca de 70% fertilizantes, o relatório identifica pontos-chave sobre os quais governos, organizações não governamentais, fundações, empresas e sociedade podem agir para conseguir o maior impacto. E a maior parte deles está concentrada em seis países — China, Índia, EUA, Brasil, Indonésia e Paquistão —, além da Europa.
Em primeiro lugar, os pesquisadores afirmam ser possível produzir muito mais comida apenas com as terras em uso atualmente, sem a necessidade de expandir a fronteira agrícola derrubando florestas, por exemplo. Segundo eles, a média de produtividade global destes 17 cultivos é 50% abaixo de seu potencial, mas esta lacuna é muito maior em algumas regiões do planeta. Assim, se a produtividade nestas áreas — notadamente na África e Ásia — fosse elevada para a mesma (baixa) média global, já seria possível fornecer comida para mais 850 milhões de pessoas.
Outros pontos-chave identificados são cultivar e usar os alimentos produzidos com mais eficiência. De acordo com os pesquisadores, 60% do nitrogênio e quase 50% do fósforo aplicados nos cultivos via fertilizantes excedem suas necessidades, e as maiores oportunidades de redução desse desperdício estão na China, Índia e EUA. Já o uso de água para irrigação poderia ser 8% a 15% menor sem comprometer a produção.

Saiba mais em O Globo

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