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Alteração climática diminui população de leões-marinhos, segundo estudo

24/07/2014

A diminuição na disponibilidade de alimentos gerada pelo aquecimento global está reduzindo as populações de leões-marinhos, segundo um estudo publicado pela revista "Nature", nesta quarta-feira. A pesquisa também aponta que as mudanças no clima estão alterando o perfil genético destes mamíferos.
Segundo os cientistas, dados referentes aos últimos 30 anos mostram que os filhotes têm apresentado menor peso médio, ao passo que menos adultos se reproduzem. Isso ocorre porque que estes animais esperam até mais tarde para ter suas crias. Mas apenas os animais maiores sobrevivem e se reproduzem.
"Durante os últimos 27 anos, observamos que os filhotes têm nascido com massa corporal 8% menor que o padrão. Notamos também que as fêmeas estão reproduzindo mais tarde. Com idades superiores em, pelo menos, 1 ou 2 anos", disse Jaume Forcada, do British Antarctic Survey.
Os pesquisadores classificaram estes sintomas como clássicas consequências de falta de alimento. A constatação, inclusive, é reforçada por baixas registradas na disponibilidade de krill antártico, crustáceo minúsculo e fundamental na cadeia alimentar desse habitat. Esta baixa, por sua vez, é vinculada às temperaturas mais altas no mar e no ar. "As mudanças climáticas diminuíram a quantidade das presas e causaram queda significativa no peso dos leões marinhos ao nascer", aponta o estudo.
A pesquisa foi centrada na Geórgia do Sul, território ultramarino britânico no Atlântico Sul, sob influência de águas antárticas, e também apontou uma variabilidade genética menor nos indivíduos, o que os torna mais vulneráveis a mudanças que implicam em adaptação.
Após serem de extinção no século XIX em função da caça em larga escala, os leões-marinhos-do-sul se recuperaram no século passado. Entretanto, em um comentário sobre o estudo, os zoólogos da Universidade de Oxford Tim Coulson e Sonya Clegg alertaram que, em função da profundidade das mudanças atuais, "pode ser que se torne mais difícil combater o declínio dos leões-marinhos no século XXI do que no século XX."

Saiba mais em O Globo

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