
29/07/2014
O desmatamento é uma ameaça ambiental das grandes, obviamente, mas o "desfaunamento" - o sumiço de todo tipo de animal, mesmo em matas aparentemente preservadas - é um fenômeno igualmente perigoso e cada vez mais comum, alerta um estudo publicado hoje numa das maiores revistas científicas do mundo.
Os números divulgados na revista "Science" são especialmente assustadores porque dizem respeito não apenas a animais grandes, que são alvo de caçadores desde tempos imemoriais, mas também a invertebrados, como borboletas ou besouros. A maioria das populações de invertebrados que os cientistas conseguem monitorar regularmente sofreram um declínio médio de 45% dos anos 1970 para cá. No caso dos vertebrados (de mamíferos a peixes), no mesmo período de tempo, houve uma queda populacional média de 30% para todas as espécies estudadas.
"Em geral, no caso de invertebrados, que são difíceis de monitorar, esses dados na verdade se referem às espécies que eram bastante comuns. Os números provavelmente são uma subestimativa", contou à Folha o biólogo Mauro Galetti, do Departamento de Ecologia da Unesp de Rio Claro (SP). Ele é um dos coautores do artigo na "Science", ao lado do mexicano Rodolfo Dirzo, da Universidade Stanford (EUA), e colegas de outros países.
Na pesquisa, Galetti e seus colegas sintetizam uma vasta gama de dados sobre a defaunação (termo adotado pela comunidade científica para se referir ao declínio da fauna). Para a equipe, a preocupação com a extinção de espécies individuais, em geral as mais carismáticas, acabou obscurecendo, em parte, a diminuição drástica da população de um número muito maior de animais, ou seu sumiço em parte da distribuição geográfica original dos bichos
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