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Botos, peixes e camarões resistem à poluição da Baía, mas número de espécies diminui

28/08/2014

Com o corpo em formato de torpedo e nado ágil, eles lutam para não se tornar apenas uma lembrança estampada no brasão da cidade do Rio. Na década de 80, pesquisas apontavam que eram 400 os botos-cinza (Sotalia fluviatilis) que habitavam as áreas internas da Baía de Guanabara. Quinze anos depois, uma queda de 83% na população — para 67 animais — acendia o definitivo sinal de alerta. Hoje, os botos — popularmente chamados de golfinhos — da baía não passam de 40, segundo o Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua), da Uerj, e se concentram na APA de Guapimirim.
— Se nada for feito, em menos de 20 anos os botos da baía terão desaparecido — lamenta José Lailson Brito Junior, coordenador do Maqua, que usa fotos para identificar os mamíferos, que têm marcas naturais e únicas na nadadeira dorsal.
Pesquisador do projeto Hippocampus, com sede em Porto de Galinhas, em Pernambuco, há um ano e meio o biólogo Cesar Bernardo Ferreira mergulha na baía. E já avistou cerca de 300 cavalos-marinhos. Entusiasmado por achar os sensíveis animais, ele credita o feito à melhoria na qualidade da água. Uma observação com a qual o chefe do Departamento de Biologia Marinha da UFRJ, Marcelo Vianna, não concorda. Vianna lembra que sempre existiram cavalos-marinhos na baía. O que ocorreu, explica, foi a redução da população desses animais, que hoje se limitam às áreas menos degradadas.
Por cauda da poluição, diz Vianna, atualmente há um predomínio na baía de bagres e corvinas pequenos e de sardinhas boca-torta. Robalos, linguados, camarão-rosa e pescadas diminuíram:
— A pesca de linguado, por exemplo, está restrita ao canal central e à boca da baía (baixo estuário), onde há troca com a água do oceano na maré cheia. Mas a baía ainda apresenta riqueza de espécies de animais marinhos. São cerca de 230, incluindo arraias e alguns tubarões.
Pesca-se hoje cerca de 500 toneladas por mês na baía. Menos do que há 20 anos, lamenta Vianna, acrescentando que tanto a população de peixes como a de camarões vem diminuindo. Embora ressalve que as metodologias de contagem não sejam as mesmas, os números da produção sinalizam redução da quantidade de camarões: o volume pescado, que chegou a 379 toneladas em 1957, caiu para 88, em 2001, 68, em 2002, e 36 toneladas, em 2009.

Leia a matéria completa em O Globo

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