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Estudo genético joga luz sobre mistério da ocupação do Ártico americano

02/09/2014

O lado americano do Ártico começou a ser ocupado por humanos há cerca de 5 mil anos com a chegada dos chamados “paleoesquimós”. Vindos da Sibéria, eles formaram um heterogêneo conjunto de culturas cuja representante mais recente foi denominada Dorset e que, de acordo com evidências arqueológicas, tinha hábitos, crenças e técnicas de sobrevivência no duro ambiente gelado que em muito diferiam dos Inuit, os chamados “neoesquimós” e atuais habitantes da região, onde chegaram há aproximadamente mil anos atrás em migração também saída da Sibéria.
Desde a descoberta dos primeiros sítios arqueológicos dos paleoesquimós, em 1925, e durante décadas, os cientistas criaram muitas teorias para tentar explicar o porquê da existência dessas variadas culturas e seu desaparecimento. Seriam elas fruto de diferentes ondas migratórias? Teriam de alguma forma interagido umas com as outras? E, por fim, como elas sumiram? Entre as hipóteses para este último mistério estava a de que os Dorset teriam acabado sobrepujados e assimilados pelos Inuit, descendentes de uma cultura siberiana conhecida como Thule que tinham tecnologias e hábitos mais bem adaptados para a vida no gelo, como o uso dos icônicos trenós puxados por cães, grandes barcos feitos com peles de animais e arpões.
Agora, porém, o primeiro levantamento genético destes antigos e sua comparação com o genoma dos atuais habitantes do Ártico americano começam a jogar uma luz sobre o que aconteceu com a cultura Dorset e os paleoesquimós em geral. Segundo o estudo, publicado na edição desta semana da revista “Science”, os paleoesquimós viveram isolados por mais de 4 mil anos apenas para desaparecer há cerca de 700 anos sem deixar descendentes, o que descarta a possibilidade de terem sido assimilados pelos Inuit, apesar de terem convivido na mesma região por alguns séculos, ou mesmo com os ancestrais dos atuais índios americanos, com os quais também se acredita terem entrado em contato em diversas oportunidades ao longo de milhares de anos.

Leia a matéria completa em O Globo

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