
23/09/2014
O Estado do Rio, que, no último Dia da Árvore, comemorou ter alcançado uma meta de ‘‘desmatamento zero’’ na Mata Atlântica, começa a desvendar os segredos e os problemas de suas florestas. Um levantamento inédito, que vem sendo feito pela Secretaria estadual do Ambiente, identificou 31 espécies de vegetais — entre árvores, arbustos, bromélias, orquídeas e bambus — ameaçadas de extinção em território fluminense. Quatro delas, que sofrem com a urbanização de áreas litorâneas, só podem ser encontradas por aqui: a sapucaia-miúda, o ingá-da-restinga e duas que não receberam nomes populares (Machaerium obovatum e Plinia ilhensis). O objetivo dos profissionais das áreas de engenharia florestal e biologia que trabalham no estudo é encaminhar 15 mil amostras de plantas para o Jardim Botânico até o fim de 2015 — 6.500 já foram coletadas.
Um ano depois de ser lançado, o inventário florestal estadual catalogou 1.200 espécies e jogou luz sobre a necessidade de conservação de exemplares raros da flora. Segundo especialistas, o arbusto Plinia ilhensis está sob forte ameaça de extinção. O biólogo Marcelo da Costa Souza, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), só localizou nove unidades da espécie em todo o estado. Vegetal da família das Myrtaceae, da qual fazem parte jabuticabeiras, pitangueiras e goiabeiras, o Plinia ilhensis se destaca por uma função nobre: produz um óleo cuja finalidade medicinal está sendo pesquisada.
— Encontramos os únicos exemplares da espécie em poucas áreas da capital, de Niterói e de Cabo Frio. As ocupações de restingas são uma ameaça real à nossa flora. A vegetação rasteira que encontramos em encostas rochosas, cheia de espinhos, não costuma chamar a atenção. No entanto, tem um enorme valor medicinal — afirma Souza.
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