
16/10/2014
É rara a ocasião em que cientistas são capazes de identificar um animal à beira da extinção e prever quando ele poderá desaparecer. Mas está acontecendo aqui (San Felipe, México), sob as águas de um mar cercado pelo deserto, onde um pequeno boto praticamente sumiu.
Ninguém imaginava que o fim chegaria tão rápido. O que mudou foi o surgimento de uma nova ameaça ao boto de nariz empinado conhecido como vaquita: o crime organizado.
A tímida vaquita, menor mamífero marinho do mundo, representa apenas um dano colateral, já que os pescadores estão devastando outra espécie ameaçada de extinção, um peixe chamado totoaba, para agradar os consumidores na China. As vaquitas acabam enroscadas e morrem nas redes armadas para a totoaba.
A exemplo da demanda chinesa por outras partes raras de animais, como barbatanas de tubarões, o mercado da totoaba é impulsionado por clientes que pagam grandes quantias, neste caso, por sua bexiga natatória. Desidratada e servida na sopa, acredita-se que tenha poderes medicinais. O quilo da bexiga natatória pode custar até US$ 10 mil aqui.
Até então, os pescadores de camarões eram o foco dos esforços para proteger a vaquita no norte do golfo da Califórnia. Suas longas redes de emalhar balançam como cortinas na corrente marítima e são letais para esse boto.
O efeito da pesca da totoaba sobre a vaquita chocou os ambientalistas. Um estudo publicado em julho revelou que metade da população da espécie foi morta em dois anos, deixando apenas 97 vaquitas. Os números levaram um grupo de especialistas em vaquitas, mexicanos e estrangeiros, a divulgar um alerta dramático. Segundo o grupo, essa espécie desaparecerá em quatro anos se não forem tomadas medidas drásticas.
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