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Seca deixa rastro de prejuízos e mortes ao longo do Rio Paraíba do Sul

11/11/2014

O paulista Sílvio Gasperotto já trabalhou em grandes multinacionais, rodou o mundo, deu assessoria na área de saneamento e hoje, aposentado, aos 67 anos, tem o semblante triste. Não raro, cai no choro. Dos R$ 150 mil investidos há cinco anos na criação de tilápias no Vale do Paraíba, restaram apenas antigas gaiolas de peixes num solo seco. Camiseta surrada e calça puída, Ercílio Vilaça, de 88 anos, sempre tirou o seu sustento da roça. Hoje, se empenha em tentar contabilizar as baixas no gado leiteiro — a cada semana, uma vaca morre de fome. Sílvio e Ercílio não se conhecem, vivem a 542km de distância um do outro, mas são protagonistas do mesmo drama. Eles são moradores da bacia hidrográfica do Paraíba do Sul, que abastece 184 municípios em três estados, incluindo 9,44 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio, e enfrenta a maior seca dos últimos 60 anos.
Sílvio mora em Redenção da Serra (SP), cidade que tenta resistir aos níveis irrisórios da represa de Paraibuna, “mar de água doce” que dá origem ao rio. Ercílio representa os descaminhos dos agricultores e pecuaristas de São Fidélis, no Norte Fluminense, última região cortada pelo rio antes de seu deságue no mar. De acordo com levantamento feito pelo GLOBO nas últimas semanas, 11 cidades banhadas pelo Paraíba já sofrem diretamente algum tipo de crise econômica em função da estiagem histórica. Dessas cidades, nove estão nas extremidades do rio: do lado fluminense, Campos, São Fidélis, Itaocara, São Francisco de Itabapoana, Cardoso Moreira e São João da Barra; do lado paulista, Natividade da Serra, Redenção da Serra e Paraibuna. Apenas duas pertencem à região do Médio Paraíba: Cruzeiro (SP) e Barra do Piraí (RJ).
Na queda de braço que envolve as duas principais metrópoles do país — a transposição das águas do Paraíba por São Paulo vem gerando controvérsia há meses no Rio —, a corda acabou arrebentando do lado mais fraco. Essa é a opinião de muitos moradores dos municípios afetados. Prefeito de Redenção da Serra, Ricardo Evangelista Lobato afirma que a cidade de 5.500 habitantes não conseguirá reverter o esvaziamento econômico decorrente da seca da represa de Paraibuna. Os números demográficos ilustram a preocupação: o lugar perdeu 25% de seus habitantes desde 1970.

Saiba mais em O Globo

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