
11/11/2014
Portentosa obra de engenharia da década de 1950, o desvio do Paraíba do Sul em Barra do Piraí, para abastecer a Região Metropolitana do Rio, possibilitou o crescimento vertiginoso da capital fluminense — cuja população quase triplicou em seis décadas, passando de 2,3 milhões para 6,4 milhões de habitantes. Os avanços em qualidade ambiental, no entanto, foram conquistados a conta-gotas. No momento em que o Sudeste vive uma grave crise hídrica, o Rio mostra que não tem feito o seu dever de casa. Dos 110 metros cúbicos de água por segundo que hoje chegam à barragem de Santa Cecília, coração do Sistema Guandu, a Cedae distribui apenas 48m³/s para abastecer residências e indústrias. Isso significa que 48,3% do volume não são efetivamente utilizados: perdem-se por causa do excesso de esgoto nele, segundo o engenheiro Jerson Kelman, ex-presidente da Light e professor da Coppe/UFRJ.
O desperdício das águas que abastecem 8,44 milhões de pessoas apenas no Grande Rio é tema da segunda reportagem da série “O rio da cobiça”, que O GLOBO começou a publicar neste domingo.
Na avaliação de Jerson Kelman, uma obra engavetada há 20 anos é muito importante para garantir a sustentabilidade do sistema a longo prazo: a construção de dutos subterrâneos que carreguem as águas dos rios Poços, Queimados, Cabuçu e Ipiranga — “vilões da poluição” do Guandu — para um trecho abaixo do ponto de captação da Cedae. A medida contribuiria para a melhoria da qualidade da água a ser tratada. Em setembro, a Cedae gastou 3.623 toneladas de sulfato de alumínio para tornar a água apta ao consumo humano. O que representa 2% a mais em relação ao mesmo mês de 2013 (3.548 toneladas).
— A vazão do Guandu que chega à captação da Cedae precisa ser elevada por causa da alta carga poluente que chega de municípios da Baixada Fluminense — diz Kelman. — É claro que São Paulo pode fazer a transposição de 5 metros cúbicos por segundo (da bacia do Paraíba do Sul), desde que o Rio faça o óbvio: evitar que o esgoto continue chegando à Estação de Tratamento de Água do Guandu. São medidas que devem ser tomadas simultaneamente. Essa situação não pode persistir.
Leia a matéria completa em O Globo
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