
02/12/2014
Quatro instituições unem-se esta sexta-feira para formar o Serviço Sismológico Nacional. Os centros de pesquisa calculam que o país registra um terremoto de magnitude maior do que 6 graus na escala Richter a cada 50 anos, aproximadamente — o último foi em 1955, no noroeste de Mato Grosso, com índice de 6,2 graus. O tremor foi sentido em Cuiabá, a 370 km de distância.
As universidades de São Paulo (USP), de Brasília (UnB) e a Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) trabalharão sob a coordenação do Observatório Nacional. O grupo mantém cerca de 80 estações sismológicas no país e registros iniciados em 1767. A mais recente foi inaugurada no mês passado, na Ilha de Trindade, a cerca de 1,2 mil quilômetros ao leste de Vitória, no Espírito Santo.
O órgão pretende instalar em breve novos pontos de medição nos arquipélagos de Abrolhos, na Bahia, e Fernando de Noronha, em Pernambucano. Para isso, dependem, respectivamente, da autorização da Marinha e do governo estadual.
— Estações sismográficas fora do continente são essenciais para melhorar a precisão na localização dos epicentros dos tremos de terra no oceano — ressalta Sérgio Fontes, geofísico da Observatório Nacional e coordenador do novo Serviço Sismológico. — Por isso, queremos construir ainda este ano estações em Abrolhos e Fernando de Noronha, aumentando o raio de detecção dos terremotos.
Embora os terremotos sejam mais comuns em regiões de encontro de placas tectônicas, o que não ocorre dentro do Brasil, cada uma delas é formada por uma série de microplacas, que podem gerar efeitos sísmicos de menor magnitude.
Na última terça-feira, 25, um tremor de 4,6 graus de magnitude atingiu o Amazonas, na divisa com o Acre e na fronteira com o Peru. Não houve registro de vítimas.
— Existem zonas de falhas entre as placas, que podem ser reativadas a qualquer momento — alerta Fontes. — A compressão entre placas provocou, na época da divisa entre a América do Sul e a África, a formação das cordilheiras da Serra do Mar e da Mantiqueira.
O Serviço Sismológico pretende mapear eventos de pequena magnitude, de até 3 graus na escala Richter, que ocorrem frequentemente no país. Ainda assim, não é possível determinar quando exatamente haverá um tremor.
— Não é como fazer a previsão do tempo — pondera o geofísico. — Encontrar estes eventos será sempre um grande enigma. Com base nos registros históricos, parece que o Centro do país é a área mais vulnerável, mas outras regiões também podem ser vítimas da reativação das zonas de falhas das placas tectônicas.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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