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Cientistas revelam ´aquecimento oculto´ que acelera degelo da Antártica

09/12/2014

A água nas profundezas do oceano em torno da Antártica ficou mais quente nas últimas décadas, aos poucos “comendo” por baixo as gigantescas plataformas de gelo que avançam do continente sobre o mar e ameaçando até a própria integridade do imenso manto gelado que o recobre. Embora há tempos os cientistas desconfiassem que este processo estava acontecendo, um grupo internacional de pesquisadores pela primeira vez verificou o aumento na temperatura da água próxima ao leito oceânico da plataforma continental antártica, em especial na sua porção Oeste, que estaria por trás do rápido derretimento das plataformas de gelo observado nesta região. Apesar de ainda não se saber se o processo é irreversível, caso apenas as plataformas de gelo sobre os mares de Amundsen e Bellingshausen, na Antártica Ocidental, venham de fato a sumir ao longo dos próximos séculos, o nível médio global dos oceanos vai subir quase cinco metros, inundando cidades e regiões costeiras que hoje são lar da maior parte da população da Terra.
— A aceleração do derretimento do gelo nesta área tem sido observada há algum tempo, causando uma grande contribuição para a elevação do nível do mar no mundo inteiro — lembra Karen Heywood, pesquisadora da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e uma das autoras do estudo, publicado na edição desta semana da revista “Science”. — O que demonstramos é como as mudanças oceanográficas no último meio século provavelmente causaram este derretimento. Se a água continuar a se aquecer, a crescente penetração de massas de água mais quente nas plataformas de gelo vai acelerar ainda mais este processo, com grande impacto no ritmo de elevação do nível do mar.
De acordo com os resultados do estudo, a água sob as plataformas de gelo de ambos mares no Oeste da Antártica tem se aquecido a uma taxa de 0,1 a 0,3 grau Celsius por década desde os anos 1960 e sua temperatura hoje varia entre 0,5 e 1,5 grau Celsius. Embora essas temperaturas ainda pareçam muito baixas, os cientistas alertam que elas representam um significativo e crescente aumento da transferência de calor de outras áreas do planeta para o oceano austral.
— Pode não parecer muito, mas é uma enorme quantidade de calor extra disponível para derreter o gelo — destaca Sunke Schmidtko, do Centro Helmholtz de Pesquisas Oceânicas de Kiel, na Alemanha, e principal autor do estudo.

Leia a matéria completa em O Globo

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