
16/12/2014
Trinta e três horas após o combinado, delegados de 196 países chegaram finalmente a um consenso sobre que passos devem adotar no combate às mudanças climáticas. O documento que encerrou na madrugada deste domingo a Conferência do Clima (COP 20), batizado “Chamamento de Lima para a Ação sobre o Clima” foi considerado “fraco” por ambientalistas, ao transferir importantes decisões para 2015, mas comemorado por representantes de governos, que o avaliam como um passo significativo para o desenho de um acordo global no fim do ano que vem, em Paris.
Diplomatas de todos os grupos encontraram vantagens, mas também atentados a seus interesses no acordo de Lima. Os países desenvolvidos terão de apresentar planos para redução de suas emissões de gases-estufa em março do ano que vem; os demais, em junho. No início de novembro, um mês antes da COP 21, em Paris, a ONU fará um compilado sobre a “carta de intenções” de cada nação. A partir daí, será possível avaliar se as metas voluntárias podem impedir um aumento da temperatura global superior a 2 graus Celsius, em relação aos níveis pré-industriais.
O documento manteve a ideia de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, surgida 20 anos atrás. O conceito estabelece que os países desenvolvidos devem ter planos mais ambiciosos no corte de suas emissões do que as nações em desenvolvimento. Foi, por isso, uma vitória para países emergentes, principalmente Índia e China.
No entanto, o acordo de Lima é vago e não menciona que ações cada país deve apresentar no início de 2015 para reduzir suas emissões de poluentes até 2020. Entre os diversos meios possíveis estão a redução do desmatamento e a criação de tecnologias para adaptação — um plano que não desperta interesse nos países desenvolvidos. No polo oposto, aquele das nações emergentes, a China acredita que divulgar suas estratégias podem ser um atentado à soberania nacional.
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