
08/01/2015
Apontado como um dos trechos do litoral fluminense mais ricos em biodiversidade marinha, a Praia das Conchas, no Peró, em Cabo Frio, vai enfim passar por um choque de ordem a partir desta sexta-feira. A operação vai envolver agentes do município, da Polícia Militar e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A promessa é dar uma solução definitiva para os problemas que estão pondo em risco os animais marinhos, a vegetação de restinga, as aves endêmicas (que só ocorrem ali) e os sambaquis.
Ameaçado pela pesca predatória e embarcações de lazer, o costão da praia é estudado por cientistas do Brasil e do exterior depois que o biólogo marinho Vinícius Padula encontrou ali, depois de dois anos de mergulhos, 32 espécies diferentes de animais marinhos (nudbrânquios), quatro deles jamais registrados no país. O trecho de sete quilômetros de praia (Conchas e Peró) tem índice zero de poluição porque não recebe despejos de esgotos nem de valões de águas pluviais.
O choque de ordem vai acontecer uma semana depois que um incêndio devastou a vegetação do Morro do Vigia, entre as praias das Conchas e do Peró, que integram o Parque Estadual da Costa do Sol (PECS). O socorro demorou a chegar, facilitando a propagação do fogo, que dizimou répteis e pássaros. O principal alvo da operação serão os flanelinhas que, ao longo dos anos, destruíram a mata nativa para abrir estacionamentos e que rechaçam qualquer ação para conter a desordem no local:
Os detalhes da operação foram definidos numa reunião no comando do 25º BPM (Cabo Frio), cujo comandante, coronel Ruy França, prometeu agir com rigor contra a desordem. Segundo ele, a reunião foi muito importante, pois todos os órgãos se fizeram representados.
— A intenção de todos os órgãos é encontrar uma solução definitiva para o problema da Praia das Conchas. Com a ação, vamos ter o controle efetivo no que tange o funcionamento de todos os serviços na praia. Vamos torcer para que o interesse da sociedade seja atendido naquele local —disse o comandante.
A fiscalização do PECS é de responsabilidade do Inea, que montou um centro de operações e mantém guardas-parques no local. A prefeitura, através de uma cessão de comodato, vai explorar o estacionamento no local, impedindo a ação de flanelinhas. Carros com placa de Cabo Frio vão pagar o valor R$ 3, os com placas de outras cidades vão desembolsar R$ 10. O estacionamento comporta 500 carros. Os flanelinhas cobravam R$ 20 e mais de dois mil carros se espalhavam pelas ruas e pela mata. A prefeitura cedeu um quadriciclo para facilitar o trabalho dos fiscais do Inea.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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