
13/01/2015
O barulho constante de motosserras num patrimônio público, encravado na Zona Sul do Rio, vem chamando a atenção de quem costuma passear ou fazer atividades físicas no Aterro do Flamengo. Pouco a pouco, arbustos e árvores vão tombando, dando lugar a um solo estéril. Reflexo de um megaprojeto de modernização do espaço para as Olimpíadas, as mudanças — necessárias para a construção de um estacionamento subterrâneo — foram aprovadas por órgãos da prefeitura e do governo federal. Nada menos que 298 árvores na Marina da Glória tiveram seus cortes autorizados pela Secretaria municipal de Meio Ambiente no dia 2 de dezembro.
Como contrapartida, está previsto o replantio de 3.082 mudas, não necessariamente dentro da marina. Caberá ao Executivo municipal indicar os locais que deverão receber as novas árvores até março. As obras vêm sendo tocadas pelo grupo BR Marinas, que comprou a concessão da REX, do empresário Eike Batista, em 2 de junho de 2014.
Um tapume instalado no estacionamento da marina há um mês acabou por suscitar uma onda de preocupações e críticas. Dono de um veleiro e presidente da Associação de Usuários da Marina da Glória (Assuma), José Fernandes se diz surpreendido com a autorização para os cortes. Ele reclama da falta de diálogo da concessionária com a entidade e, embora elogie o projeto de revitalização do único atracadouro público da cidade, garante que não tomou conhecimento dos detalhes paisagísticos da proposta.
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