
15/01/2015
Trinta anos atrás, o garimpo em Serra Pelada, no Pará, foi o símbolo da corrida do ouro na Amazônia. Agora, o “vil metal” volta a reluzir na mata. Entre 2001 e 2013, cerca de 1.680 km² de floresta tropical, uma área equivalente ao município de São Paulo, foram perdidos para a atividade ilegal na América do Sul.
A crise econômica, em 2007, impulsionou ainda mais a corrida pelo ouro. Nas florestas tropicais do continente, 89% do garimpo ocorrem em apenas quatro regiões. No Brasil, a mais preocupante é a zona entre os rios Tapajós e Xingu, no Pará. Lá, o ouro provocou a perda de 183 km² de vegetação. As florestas da Guiana, da Amazônia peruana e a margem de rios colombianos também estão na mira dos garimpeiros, segundo um mapeamento coordenado pela Universidade de Porto Rico, publicado hoje pela revista “Environmental Research Letters”
Os pesquisadores criaram um banco de dados geográficos, destacando a localização de minas formadas entre 2000 e 2013. O mapa foi comparado às mudanças da cobertura florestal observadas no mesmo período.
Impulsionada pelo consumo pessoal e pela incerteza dos mercados financeiros globais, a produção mundial de ouro aumentou de 2.445 toneladas em 2000 para cerca de 2.770 toneladas em 2013. No mesmo período, seu preço quintuplicou.
— Para diminuir a quantidade do desmatamento associado à mineração do ouro nas florestas tropicais, é importante haver uma consciência entre os consumidores sobre os impactos ambientais e sociais de comprar joias ou investir no metal — avalia a autora principal do estudo, Nora Álvarez-Berríos. — A extração ilegal pode levar à extensa perda de florestas e resultar em impactos ambientais e ecológicos graves, causados pela remoção de vegetação e criação de estradas.
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