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Grupo de mergulhadores aproveita mar claro e faz limpeza em reserva marinha de Niterói

29/01/2015

Enquanto muitos niteroienses viajam para cidades como Arraial e Angra ou até países do Caribe em busca de águas cristalinas para a prática do mergulho, talvez poucos saibam o tesouro que há bem perto de casa. A rica diversidade de fauna e flora do fundo do mar da área que compreende a Reserva Extrativista Marinha (Resex) de Itaipu, instituída em setembro de 2013 para proteger e ordenar a prática da pesca artesanal no litoral de Niterói, impressiona pela beleza, mas precisa ser preservada. Para ajudar a manter esse patrimônio natural, um grupo de mergulhadores está desenvolvendo o projeto voluntário Pescando Limpo, cujo objetivo principal é promover a limpeza subaquática da região.
Nesses dias de verão de mar caribenho, as condições de mergulho na área da Resex têm sido perfeitas. Águas mornas e cristalinas e alta visibilidade no fundo garantem os principais requisitos para a contemplação. Mas, em meio a cardumes de peixes, tartarugas e cavalos-marinhos, infelizmente, não é difícil encontrar lixo descartado no mar, que ameaça a vida marinha
Idealizador do projeto, o mergulhador Adriano Peregrino, dono da escola de mergulho Tempo de Fundo, iniciou o trabalho ano passado, no Dia Mundial de Limpeza de Praias. Estudante de Biologia na Faculdade Maria Thereza, ele pretende usar essa experiência na sua monografia.
Como uma andorinha só não faz verão, Adriano conseguiu reunir um grupo entusiasmado e disposto a mergulhar de cabeça nessa ação ambiental. Seus colegas de faculdade e alunos do curso de mergulho autônomo da escola aderiram ao projeto em prol da causa ambiental.
A ideia é catalogar todos os resíduos recolhidos e mapear com GPS as principais áreas onde são encontrados materiais de descarte. Quando esse mapeamento estiver concluído, Peregrino vai encaminhar os dados para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Ele conta que até um fogão já foi encontrado pelo grupo no fundo do mar.
— Em fevereiro do ano passado, quando meu amigo surfista Arduíno Colasanti faleceu, assumi a escola de mergulho que ele fundou. Nasci em Niterói, mas estava há muito tempo sem mergulhar por essas águas, por conta de trabalhos em outras cidades e estados. Fiquei chocado com o que vi, e comecei a amadurecer essa ideia de mutirão de limpeza subaquática. Nós sempre recolhemos muito material de pesca descartado, como linhas e redes, mas já vimos de tudo, de barraca de praia a fogão — conta.
Adriano explica, ainda, que a área da costa é a mais prejudicada e onde há maior concentração de detritos. Mas, mesmo em distâncias maiores, o lixo aparece. No dia em que a equipe do GLOBO-Niterói mergulhou com o grupo ao redor da Ilha Mãe, latinhas e uma bota que parecia ter saído do figurino do filme “Piratas do Caribe” foram encontradas. Próximo à costa, a equipe conseguiu acompanhar o resgate de um peixe preso numa rede abandonada. Vítima da mesma rede, uma moreia não teve a mesma sorte.
— Nessa primeira etapa do projeto, estamos limpando toda a área do costão rochoso de Itaipu, e vamos também controlar o tempo que leva para o mar ficar sujo novamente. Esses materiais descartados nas águas de forma imprudente causam um grande risco. As linhas podem cortar mergulhadores e até matar peixes e tartarugas — diz Adriano.

Saiba mais em O Globo

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