
05/03/2015
Autor do “Atlas das serpentes do Brasil”, que detalha a distribuição geográfica das 380 espécies encontradas no país, o biólogo Cristiano Nogueira faz um alerta. Segundo ele, cujo trabalho de mais de quatro anos deve ser publicado oficialmente no ano que vem, as cobras perderam 80% de seu território nos últimos 30 anos por conta do avanço da urbanização e da agropecuária. Em dez anos, algumas delas podem até ser extintas. Outras se tornaram mais urbanas.
A diminuição da diversidade traz problemas práticos. Como os ofídios são os predadores naturais de ratos e sapos, o risco de desequilíbrio é grande. O ritmo das mudanças preocupa.
— As modificações acontecem de maneira acelerada. Em algumas áreas, algumas espécies tiveram seu habitat bastante reduzido em dez anos. Do ponto de vista biológico, é pouco tempo. Com o “Atlas”, estratégias de preservação podem ser elaboradas. Ele mostra onde estão as regiões prioritárias para conservação dos habitats — explica ele, que lidera uma equipe do Museu de Zoologia da USP.
Espécies como a jararaca Bothrops itapetiningae, que já ocupou um território que ia de São Paulo até Goiás; jararaca de Murici (Bothrops muriciensis), isolada nas matas da cidade alagoana e a jararacuçutapete (Bothrops pirajai), que vive na Bahia, correm real perigo, conforme mostra a edição de janeiro da revista “Pesquisa Fapesp”.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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