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Ambientalistas concordam com uso de mananciais da Floresta da Tijuca

12/03/2015

Parece mágica da Iara, a senhora das águas da tradição indígena. Mas é obra natural da mãe d’água do Rio, que em meio à seca extrema dos últimos dois anos, agravada neste verão, manteve suas centenas de nascentes vivas, no coração da cidade. Plantada há 153 anos para salvar o Rio de uma seca igualmente histórica, a Floresta da Tijuca permanece uma fabulosa reserva de água e continua a amenizar o calor. As nascentes da floresta são tantas que centenas é a medida de grandeza mais conservadora que pesquisadores usam para estimá-las.
Uma única árvore de porte médio é capaz de lançar todos os dias na atmosfera 300 litros de água, diz o professor de Geografia da PUC-Rio Rogério Ribeiro de Oliveira. Um hectare de mata lança 200 mil litros diários. Como o Parque Nacional da Tijuca tem 3.955 hectares, a conta chega a 791.000.000 milhões de litros d’água por dia em vapor, que ajudam na formação de nuvens, a reduzir a temperatura e a devolver a água para o solo. Se D. Pedro II e o Major Archer não tivessem reconstituído a Mata Atlântica, o Rio hoje seria significativamente mais quente.
A floresta presta serviços de valor literalmente incalculável, destacam cientistas, mas muitos cariocas os ignoram e a Cedae os desperdiça, já que boa parte da água vai parar na rede pluvial e acaba, mesmo puríssima, misturada ao esgoto. Como há mais de um século e meio, o Rio e o Brasil esqueceram as lições da estiagem. E não planejaram medidas para sanar um problema que é histórico. E mesmo com seus 3.955 hectares espalhados pelos pontos mais simbólicos e evidentes da cidade, como o Corcovado e a Pedra da Gávea, a mata parece não ser suficiente como lembrete.
Durante o auge da seca de janeiro, o fluxo das cachoeiras da parte baixa do Parque Nacional da Tijuca (PNI) minguou. O que fez muita gente pensar que estavam secas. As nascentes, porém, nunca deixaram de existir. A floresta apenas reteve o fluxo para se manter. Com as chuvas dos últimos dias, as cachoeiras voltaram ao fluxo quase normal. E mesmo que a seca continue — meteorologistas preveem que as chuvas desta semana são temporárias e que a estiagem continuará — as nascentes permanecerão como uma imensa reserva de água.

Saiba mais em O Globo

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