
22/04/2015
Os primatologistas independentes Lieven Devreese e Gaël Elie Gnondo Gobolo conseguiram uma prova que o Colobus vermelho de bouvier (Piliocolobus bouvieri), macaco de médio porte natural das florestas ao Norte da República do Congo, não está extinto. De acordo com a Wildlife Conservation Society (WCS), esses animais não são vistos há quase meio século e se pensava que eles estavam extintos, mas os dois pesquisadores conseguiram a primeira fotografia de exemplares da espécie.
“Estamos muito satisfeitos pelo feito de Lieven e Gaël, que foram capazes de alcançar seu objetivo de não só confirmar que o Colobus ainda existe, mas também conseguiram uma foto de uma mãe com seu filhote”, afirmou Fiona Maisels, da WCS, em comunicado. “Felizmente, muitos desses macacos vivem em um parque nacional recentemente criado e estão protegidos de ameaças como madereiras, agricultura e estradas, que poderiam levar a um aumento da caça”.
Devreese e Gobolo partiram em expedição em fevereiro deste ano no Parque Nacional Ntokou-Pikounda, reserva natural criada em 2013 para a proteção de gorilas, chimpanzés, elefantes e outras espécies. Os pesquisadores encontraram um grupo de Colobus nas florestas alagadas ao longo do Rio Bokiba.
“Nossas fotos são as primeiras do mundo e confirmam que a espécie não está extinta”, disse Devreese.
O Colobus vermelho de bouvier é uma espécie de macaco endêmica da República do Congo, sobre o qual se sabe praticamente nada. Ele era considerado uma subespécie de um grupo taxonômico maior de Colobus, mas recentemente foi listado como uma espécie. Ela foi descrita pela primeira vez em 1887 e só é conhecida por espécimes coletados há mais de cem anos, em três localidades diferentes, que estão em museus.
Um livro publicado em 1949 menciona que a espécie era encontrada em florestas alagadas entre os rios Likouala e Sangha, assim como no Alima. Os últimos avistamentos não confirmados do Colobus vermelho aconteceram nos anos 1970.
“A confirmação que o Colobus vermelho de bouvier ainda existe nesta área nos faz pensar que ainda existem lugares selvagens praticamente intactos na Terra, e isso nos dá energia para protegê-los antes que seja tarde demais”, disse James Deutsch, vice-presidente para estratégias de conservação da WCS.
Fonte: O Globo
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