
24/04/2015
O Brasil lidera o ranking mundial de violência contra ativistas ambientais. Segundo o relatório da ONG Global Witness divulgado nesta segunda-feira, dos 116 assassinatos no mundo ano passado, 29 ocorreram no país. A Colômbia aparece em seguida, com 25 mortes, e Filipinas em terceiro lugar, com 15. Somente na América Latina foram 87 casos.
Apesar de o Brasil liderar a lista, a ONG considera Honduras como o território mais violento contra ambientalistas. Em quarto lugar com 12 mortes, o país tem “leis atrasadas” e está perto da “total impunidade”, segundo o relatório. O texto destaca “uma alarmante tendência" observada em alguns governos de usar "legislação antiterrorista contra ativistas, descrevendo-os como inimigos do Estado”.
A falta de dados é considerada um problema para a ONG, que acredita que os números publicados no relatório sobre os casos de corrupção e exploração de recursos podem ser, na realidade, muito maiores. No Brasil, por ano, cinco mil quilômetros da Amazônia são desmatados.
O texto também afirma que, em todo o mundo, cerca de 40% das vítimas ambientalistas são de origem indígena. “Os grupos indígenas estão cada vez mais na linha de frente na luta pela terra e pelos recursos naturais, representando 40% das mortes em 2014”, afirma o texto.
Desde 2002, foram contabilizados 477 assassinatos de ativistas ambientais no Brasil. A maioria das mortes é arquivada sem julgamentos, diz o relatório. Policiais, militares, grupos paramilitares e guardas privados são citados no documento como os principais suspeitos ou culpados, mas os responsáveis por contratar estes grupos seriam os grandes proprietários de terras que não aparecem nas investigações, segundo o documento.
Fonte: O Globo
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