
24/04/2015
Aimorés (MG) e Colatina (ES) - Adonai Lacruz, administrador do Instituto Terra, começa a falar com naturalidade como se não fosse espantosa cada frase do que está dizendo:
— O primeiro sonho já está realizado. O instituto plantou uma floresta. Foram dois milhões de mudas plantadas que cresceram e hoje são árvores. Os 700 hectares da fazenda estão cobertos. O viveiro produziu, ao todo, quatro milhões de mudas, em 16 anos, para nós e outros projetos. Agora estamos começando outro sonho: proteger todas as nascentes do Vale do Rio Doce. Vai levar 30 anos.
Transformar uma terra seca numa floresta que hoje enche os olhos de verde é muito, mas fazer um programa para todo o vale parece loucura. É um território do tamanho de um país, equivale a um Portugal. Mas no instituto a gente começa a achar que o impossível acontece. O Rio Doce e todos os seus afluentes estão incluídos no novo sonho, que é o de cercar cada um dos 375 mil olhos-d’água. O rio que nasce em Ressaquinha, na Mantiqueira, em Minas, percorre 853 quilômetros até encontrar o Oceano Atlântico em Regência, Espírito Santo.
Quando as pessoas que trabalham no instituto fundado por Lélia e Sebastião Salgado falam que estão começando um trabalho, é porque andaram bastante. Nos últimos quatro anos, o projeto foi elaborado e teve definidos seu custo e sua viabilidade. Já está encerrado o piloto, no qual foram protegidas quase mil nascentes do Rio Doce ou nos seus afluentes.
O projeto é procurar cada um dos pontos onde mina água — ou onde há chance de que a água aflore —, cercar 0,8 hectare em volta desses pontos e plantar algumas árvores para proteger. Além disso, o produtor que aderir ao projeto receberá dois presentes preciosos: o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o esgotamento sanitário instalado na propriedade. E de sobra ganhará como cartão de visitas uma placa de que aquela propriedade está no Projeto Olhos D’Água.
Saiba mais em O Globo
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