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Um arquivo para guardar as plantas fluminenses

29/03/2016

Para os botânicos, cada planta revela uma história. Dados preciosos sobre uma determinada espécie, como suas características anatômicas e genéticas ou sua localização na natureza, podem ser obtidos pelo estudo das amostras vegetais coletadas pelos pesquisadores. Essas amostras são depositadas nos herbários, que armazenam coleções de plantas, conservadas em meio líquido ou desidratadas, e organizadas segundo uma sistemática, para fins de pesquisa científica. No quinto andar da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), localizado no bairro da Urca, o Herbário Professor Jorge Pedro Pereira Carauta (Huni) reúne 3.500 amostras de plantas que representam bem a diversidade da flora fluminense.
“Entre as amostras, destacam-se exemplares da vegetação das restingas fluminenses, do Complexo do Pão de Açúcar e da flora de macroalgas marinhas do estado”, resume a bióloga Sandra Zorat Cordeiro, vice-curadora do herbário.
“O diferencial do nosso acervo, ainda pequeno se comparado a outros no estado, é que temos coleções específicas, como a flora ficológica – de algas – das regiões da Baía de Guanabara e do litoral fluminense, além da flora terrestre do Pão de Açúcar, onde tradicionalmente professores e alunos de graduação e da pós da UniRio pesquisam e coletam vegetais, até pela proximidade com o campus, na Urca. Parte do acervo do herbário foi doada por outras instituições, como as amostras da vegetação de restinga doadas pelo Colégio Militar do Rio de Janeiro, ou recebida por permuta”, detalha.
O patrimônio do Huni é composto pelas coleções científicas de plantas desidratadas (Coleção Herborizada) e de plantas fixadas em meio líquido (Coleção Líquida). “No caso da coleção de plantas e algas herborizadas, elas são desidratadas e prensadas, para em seguida serem armazenadas em uma folha de papel junto com informações como sua identificação taxonômica e suas características morfológicas e ecológicas. Esse material prensado dura séculos. Existem alguns da época de Pedro II no Museu Nacional”, diz Sandra. “Já os exemplares da coleção líquida são armazenados em frascos com soluções de álcool 70% e formol 4%. É o melhor modo de preservar principalmente as plantas aquáticas, que são delicadas e por isso podem esfarelar mais facilmente após a prensagem, dificultando a preservação”, completa.
O acervo do herbário está aberto a consultas de alunos e professores da UniRio, para apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão, e também pode ser utilizado por pesquisadores de outras instituições, como instrumento de intercâmbio acadêmico. “O herbário é muito importante para a realização de pesquisas em botânica. Para um botânico publicar um artigo científico, é preciso citar em que herbário foi feito o depósito da espécie vegetal estudada, para que outro pesquisador tenha a referência e, se necessário, acesso ao material. Cada espécie ganha a sigla do herbário onde foi depositada e um número, para que seja identificada por outros pesquisadores no futuro”, explica. “O pesquisador pode depositar duplicatas das amostras tanto no herbário da UniRio como também em outros herbários. Isso é interessante para facilitar o acesso ao material por um número ainda maior de pessoas”, diz a bióloga do Departamento de Botânica da universidade.

A matéria completa pode ser lida no site da Faperj

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