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Sem refresco nem à noite, Rio está mais quente

05/04/2016

O El Niño, fenômeno associado a recordes de tudo o que pode ser ruim em termos climáticos, perde a força, mas o calor de fazer corar durante o verão ainda impera no outono do Rio. E não é só na capital. Todo o estado cozinha na sauna a vapor alimentada por mudanças no clima global. O El Niño é passageiro. O calor, residente. Nos últimos 40 anos, noites e dias frios, raros até no tímido inverno, aceleraram o passo para a extinção. Fica o estresse térmico, nome técnico para a exaustão de corpos submetidos a um infindável tempo quente.
Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) comprovam isso. Aqui, as noites são quentes. Fora o evidente desconforto, o calor aumenta a conta de energia e os problemas de saúde, como complicações cardíacas, indicam pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).
Ernani Nascimento, especialista em tempestades e professor de meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), explica que o Rio tem a própria bomba de calor. Os bloqueios de alta pressão na atmosfera retêm esse calor e a umidade. Os comprimem e empurram para baixo, onde vivemos. E tornam o município uma panela de pressão.
As cidades esquentam mais porque seu chão é coberto por asfalto (absorve calor e prejudica o escoamento da chuva) e têm prédios altos, que bloqueiam o vento. Metrópoles como o Rio, situadas na faixa tropical, se aquecem ainda mais. Nelas, o destino das noites frias é o fim. Uma extinção causada pelo homem, uma marca do Antropoceno.
— A combinação de umidade e temperaturas elevadas aumenta a sensação térmica e torna o calor insuportável. O estresse térmico dura as 24 horas do dia porque as noites estão quentes. Não há mais refresco — destaca Nascimento.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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