
12/04/2016
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu conseguiram autorização do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar testes em humanos do que promete ser o primeiro soro antiveneno de abelhas do mundo. Nesta sexta-feira, dia 8, as equipes que irão ministrar o soro receberam treinamento para participar desta nova fase da pesquisa. Os testes serão feitos a partir da próxima semana, nas cidades de Botucatu (SP), Tubarão (SC) e Uberaba (MG). Quem for picado perto dessas regiões será levado para um dos centros de pesquisa e, em casos indicados, receberá o soro.
O avanço é resultado de cerca de 15 anos de pesquisa liderada pelo veterinário Rui Seabra Ferreira Jr., coordenador do Centro de Estudos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp. O soro antiapílico — derivado de Apis mellifera, nome científico das abelhas — é produzido em parceria com o Instituto Vital Brazil, em Niterói.
— Nesta fase de testes em humanos, vamos avaliar a segurança do produto, isto é, se ele não piora o estado dos pacientes. Devemos terminar essa etapa até o final do ano. Depois, vamos avaliar a eficácia: se o medicamento faz aquilo que ele promete, e, neste caso, levaremos o soro a um número maior de cidades, para obtermos um número maior de pacientes, que podem chegar a 400. Só depois disso o soro poderá ser registrado pela Anvisa -explica Ferreira Jr.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 15 mil casos de picadas de abelhas são registradas por ano no Brasil, e mais de 40 mortes. Quando um adulto sofre mais de 200 picadas, ele recebe uma quantidade de veneno no corpo que é suficiente para causar lesões no coração, no fígado e nos rins. Mas mesmo uma quantidade menor de picadas já pode ser perigosa.
— No caso de pessoas alérgicas, uma picada pode ser suficiente para levar à morte. Se a pessoa não tiver alergia mas tiver 45 kg, por exemplo, cerca de 50 picadas já podem trazer complicações. Depende muito de cada caso - conta o professor.
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