
05/05/2016
Em março, a prefeitura anunciou um novo plano de metas, até 2020. Dentre os objetivos mantém-se o da retirada de famílias que vivem em áreas de risco na cidade, o que havia sido prometido em 2013 e ainda não foi cumprido. Agora, a projeção é de que ninguém mais viva em local com risco de deslizamentos ou enchentes até 2035. No projeto detalhado, porém, não está prevista a ação no entorno do Maciço da Pedra Branca. Regiões mais adensadas, e com histórico recente de desmoronamentos, o Maciço da Tijuca e a Serra da Misericórdia são os focos do programa de gerenciamento de alto risco da Geo-Rio. Embora reconheçam que estas áreas são prioridade, especialistas alertam que a situação na Pedra Branca, que sofre com acelerada expansão urbana nos últimos anos, é delicada, e vem se agravando.
— O Maciço da Tijuca hoje é o Maciço da Pedra Branca em dez anos — prevê Rita Montezuma, professora da UFF, especialista em microclimas.
Entre 2003 e 2011, a Defesa Civil registrou 629 casos de deslizamento ou enchentes nos bairros da AP4 (Barra, Recreio, Camorim, Vargens e Jacarepaguá). Pesquisadores e ambientalistas chamam a atenção para o aumento da ocupação indevida no entorno do Maciço da Pedra Branca. Além do perigo a que se expõem os moradores dos imóveis localizados em área de risco — muitos deles regularizados —, o avanço sobre uma unidade de conservação causa desequilíbrio que se reflete em toda a cidade.
— As ocupações propagam a degradação da floresta do entorno. Tornam as áreas impermeabilizadas e resultam numa série de situações que podem causar deslizamento, independentemente de estarmos falando de favelas ou casas luxuosas. Há construções que fazem rebaixamento ou drenagem e afetam os rios da área. Cada vez se encontra menos água e há mais desmatamento em torno delas. Estamos diante de um fenômeno que não era para existir na cidade do Rio, que é o surgimento de rios temporários, ou seja, que secam em determinado momento do ano — explica Rita Montezuma.
A professora da UFF, cuja tese de doutorado versou sobre a saúde de florestas, diz que hoje os principais riscos no entorno da Pedra Branca são oriundos de ocupações imobiliárias regularizadas:
— Há muitas construções legitimadas. O processo que vemos na área é uma contradição com o discurso da prefeitura, que se diz preocupada com as áreas de risco. O problema é direcionar o “risco” somente a comunidades de baixa renda.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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