
10/05/2016
A catadora de materiais recicláveis de Piracicaba (SP), Lúcia Helena Sanches, de 56 anos, teve sua carroça "tunada" por voluntários. A iniciativa foi da engenheira de alimentos Beatriz Rocchetti Sumere, de 26 anos, por meio do projeto Pimpex, edição independente do "Pimp My Carroça". Um projeto viabilizado por arrecadação coletiva (crowdfunding) que customiza o equipamento dos coletores para tirá-los do anonimato. "Ficou muito linda! Marca uma nova fase da minha vida!", comemorou ao ver seu novo instrumento de trabalho.
A engenheira beatriz contou que mal conseguiu dormir à noite de tanta ansiedade para a ação do Pimpex, realizada no sábado (7), na Praça José Bonifácio e acompanhada pelo G1. Os destinos dela e de Lúcia se cruzaram há quatro meses quando a jovem andava por Piracicaba a procura de uma mulher que trabalhasse recolhendo materiais recicláveis das ruas.
"Para mim, ficou bem melhor", disse a catadora ao comparar a carroça antiga com a nova. "Meu instrumento de trabalho pede que as pessoas reciclem os próprios hábitos, por isso o alerta vem estampado nela. Espero que isso chame atenção para um consumo mais consciente", alertou Lúcia.
Fumante há 43 anos, Lúcia Helena decidiu que a transformação da sua carroça iria marcar o início de novos hábitos da sua vida e, por isso, parou de fumar e se batizou na igreja. Mudanças que além de estampada na carroça com a frase "recicle seus hábitos", foi aprovada pelos três filhos que ela criou sozinha depois que o marido morreu de derrame devido a um câncer de garganta.
Segundo a catadora, os materiais recicláveis recolhidos na região de Santa Terezinha rendem em média R$ 300 ao mês, somados à pensão que recebe do marido falecido. "Ninguém gosta mais de trabalhar do que eu, acho que se eu parar, adoeço", contou Lúcia Helena.
"A gente não repara muito nessas pessoas, mas quando os vemos geralmente são homens, por isso eu queria exatamente uma mulher", relatou Beatriz. Depois que Lúcia Helena aceitou "de cara" ter sua carroça transformada, a engenheira criou um financiamento coletivo na internet. Em um mês, foram arrecadados mais de R$ 2 mil com a ajuda de 60 pessoas.
"Eu fiquei desesperada com medo de não conseguir atingir a meta do ´crowdfunding´ e saí entregando papéis na minha vizinhança com pedido de doações", confessou Beatriz. A catadora também entrou no ritmo. Ela recorreu aos amigos que criou nos 20 anos de profissão e arrecadou cerca de R$ 500.
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